O difícil não é casar, mas continuar na vida matrimonial

Testemunho de um missionário Italiano no Brasil, Pe. Vitaliano Mattioli

Crato, (Zenit.org) Vitaliano Mattioli | 1128 visitas

Sou um sacerdote da Diocese de Roma. Há pouco mais de dois anos estou na qualidade ‘Fidei Donum’ no Nordeste do Brasil, Diocese de Crato.

Nascido em Roma (1938) entrei no seminário menor e, em seguida, no Maior. Agradeço o bom Deus por ter frequentado o Seminário naquele tempo, com aquela formação forte, espartana, mas construtiva. Fui ordenado sacerdote em 1963.

Depois dos primeiros cinco anos de paróquia, a minha vida foi tomada por um estilo institucional e acadêmico. Mas sempre desejei ter os pés no chão. É por isso que eu pedi para colaborar com uma paróquia em Roma, na região leste da cidade, que durou quarenta anos.

Além da atividade litúrgico-sacramental, no início me foi confiado o setor da juventude. Em um segundo momento a atividade se dirigiu mais para os noivos e casados e me deram o setor Adultos.

Uma especial atenção foi dedicada ao grupo dos noivos no Curso pré-matrimonial. Por 12 anos me responsabilizei por esta organização. Foram anos maravilhosos, cheios de satisfação.

Minha preocupação era dar uma estrutura ‘séria e construtiva’ a essas reuniões. Primeiramente busquei colaboradores, formar uma equipe bem madura e com princípios cristãos. Esta equipe era formada por um sacerdote, uma catequista diplomada em teologia, um médico, um leigo especializado na comunicação, um casal. Esta equipe foi fiél e colaborou por 12 anos, exceto o médico que foi substituido.

O curso estava dividido em 10 encontros: 9 deles em cada quinta-feira à noite, das 21h até as 22h15; o último encontro estava fixado para o domingo, como encerramento no estilo de retiro espiritual.

Eu sempre estava lá para a acolhida, disponível para os encontros pessoais.

Pedíamos para os casais se inscreverem nesses encontros muito antes que acontecesse (entre seis meses e um ano). O Curso não fazia parte da burocracia, mas tinha sido apresentado como uma exigência para comprovar a própria formação, rever o caminho do casal, recuperar uma dimensão religiosa, evidenciar os pontos negativos a serem corrigidos.

Raramente, mas acontecia, no final do Curso um casal compreendia que os dois não tinham sido feitos um para o outro. Mais de uma vez, no entanto, tive que aconselhar adiar a data da celebração, porque era evidente que o amadurecimento não era suficiente. Normalmente os casais aceitavam. Isso só era possível porque os casais não iam para o curso no último momento, quando tudo para o casamento já estava pronto.

O difícil não é casar, mas continuar na vida matrimonial. Por isso tentamos formar com esforço, o Grupo dos Jovens Casais, para continuar aquela formação começada com o Curso e sustentar o casal no primeiro percurso, que é bastante desafiador.

Esta atividade capilar trouxe bons frutos. Muitos casais em momentos de dificuldades apareciam e pediam ajuda.

O importante é que, nestes momentos de SOS, o sacerdote esteja sempre disponível. Deve encontrar tempo para estar. Muitos casais salvaram o seu casamento justamente por causa desta atenção e disponibilidade pastoral.

Quando a minha atividade oficial terminou, mudei-me para o Brasil para oferecer a esta Igreja os meus últimos anos de vida. Agradeço a Dom Fernando, Bispo desta Diocese de Crato, por ter me acolhido com tanto afeto, e a todo o Clero pela simpatia e compreensão que me demonstraram.

[Tradução Thácio Siqueira]