O Discurso do Rei

Filme sobre Rei George VI, pai da atual Rainha Elizabeth II

San Diego, (Zenit.org) Tathiane Locatelli | 1497 visitas

"A grama é sempre mais verde no quintal do vizinho." Essa é uma das piores coisas sobre a pobreza: ela é enganosa. Quando se tem pouco, você ainda pode acreditar na mentira de que mais lhe irá fazer feliz ... O rico sabe por experiência que a riqueza não traz felicidade; já o pobre ainda pode cair nessa mentira. (Peter Kreeft em “Three Philosophies of Life”)

Apesar de muita gente acreditar que dinheiro e poder compram tudo, repetidamente a história de pessoas ilustres provam que muitas das coisas necessárias e importantes para a vida se encontram fora do alcance do poder do dinheiro e da autoridade sócio-material. Alguns dos maiores bens, para a vida, é a amizade, o amor; o relacionamento sincero e benevolente entre duas pessoas.

Um dos exemplos que desmentem esta crença – de que ricos e poderosos se encontram imunes ao sofrimento, infortúnios e solidão; e que a amizade, a família e o amor não são bens comercializáveis mas sim dons – é a história do Rei inglês George VI.

A História

Retratada no filme “O Discurso do Rei”, a vida do príncipe Albert (que viria a tornar-se o Rei George VI, pai da atual Rainha Elizabeth II) foi marcada por maus tratos ao longo da infância (incluindo longo períodos de fome e rejeição pela babá que o cuidava), a educação rigorosa para torná-lo destro (forçando-o contra a inclinação natural de canhoto) e o surgimento da gagueira por volta dos 5 anos. Esta última, sem possibilidade de adestramento, aparentemente o acompanharia pelo resto da vida.

Albert – ou Bertie, como era chamado dentro da família real – era um homem tímido e vivia à sombra do irmão mais velho, David – o primeiro em linha na sucessão da coroa. Ao contrário de Albert, David era carismático, extrovertido e bom orador. Para uma época marcada pelo crescimento da comunicação através de jornais e principalmente o rádio, a habilidade da fala era extremamente importante para qualquer chefe de estado.

Impulsionado pela esposa Elizabeth, que quer ajudá-lo na sua crescente necessidade de falar em funções públicas, o príncipe, que já havia tentado vários tratamentos contra a gagueira, começa a ter progressos somente quando encontra o australiano Lionel Logue.

A princípio, Albert reluta contra a condição imposta por Logue de se tratarem como iguais durante a terapia; não aceita que Lionel o chame de Bertie, em vez de “Sua Alteza”, uma vez que este é apenas um plebeu; e desiste do tratamento. Entretanto, após escutar a gravação da primeira sessão, Albert tem reavivada a esperança de vencer a gagueira e percebe que Lionel talvez seja sua única possibilidade.

Para ajudar Bertie, Lionel faz uso de varias técnicas não convencionais e também explora as questões psicológicas por trás do problema. Por fim, acaba se tornando um confidente do príncipe e, mais tarde, um amigo.

Logue não tinha um diploma de médico e tratava seus pacientes de forma não ortodoxa, sua qualificação como terapeuta vinha do trabalho realizado com soldados em estado de choque após a Primeira Guerra Mundial. Por isso, era considerado desqualificado por muitos assessores da coroa.

Em janeiro de 1936, o Rei George V morre e David sobe ao trono como Rei Edward VIII. Segue-se então uma crise na coroa devido a determinação de Edward VIII em casar-se com Wallis Simpson, uma socialite americana que ainda se encontra casada com o segundo marido – uma união, portanto, inconciliável com a função de Rei da Inglaterra e, por isso, também chefe da Igreja Anglicana. O Rei Edward VIII, por fim, abdica ao trono da Inglaterra para casar-se com Wallis e Albert sobe ao trono como rei.

Imediatamente após, a Inglaterra declara guerra à Alemanha. Neste cenário conflituoso, outra figura importante surge em defesa da Inglaterra e apoiando o rei: a de Winston Churchill. Apesar das aparições deste no filme serem breves, o personagem faz justiça ao verdadeiro Churchill: ele não era carismático nem cativante, mas era um homem de caráter, e por isso determinante para a honra da história da Inglaterra.

Ao declarar guerra contra a Alemanha nazista, em setembro de 1939, o Rei George VI convoca Logue ao Palácio de Buckingham para se ajudá-lo no discurso a ser retransmitido pela rádio para toda Grã-Bretanha e Império.

Documentos históricos mostram que Logue estava sempre presente nos discursos do Rei George VI durante a guerra e de que eles se tornaram amigos. Amizade esta que os veio a seguir pelo resto da vida.

“Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro... 

Um amigo fiel é um remédio de vida.” (Eclesiástico 6, 14.16).

Ficha Técnica

Título original: The King’s Speech

Diretor: Tom Hooper

Elenco: Colin Firth, Helena Bonham Carter, Derek Jacobi, Robert Portal, Richard Dixon, Paul Trussell, Adrian Scarborough, Andrew Havill, Charles Armstrong, Roger Hammond, Geoffrey Rush, Calum Gittins, Jennifer Ehle, Dominic Applewhite, Ben Wimsett, Freya Wilson, Ramona Marquez, David Bamber, Jake Hathaway, Michael Gambon, Guy Pearce, Patrick Ryecart, Teresa Gallagher, Simon Chandler, Claire Bloom, Orlando Wells, Tim Downie, Dick Ward, Eve Best, John Albasiny, Timothy Spall, Danny Emes, Anthony Andrews, John Warnaby, Roger Parrott. 

Produção: Iain Canning, Emile Sherman, Gareth Unwin. 

Roteiro: David Seidler.

Fotografia: Danny Cohen.

Trilha Sonora: Alexandre Desplat.

Duração: 118 min.

Ano: 2010.

País: Reino Unido / Austrália.

Gênero: Drama.

Cor: Colorido.

Distribuidora: Paris Filmes.

Estúdio: See-Saw Films / Bedlam Productions / The Weinstein Company /UK Film Council / Aegis Film Fund / Molinare Investment / FilmNation Entertainment / Bedlam Productions / Momentum Pictures / See-Saw Films.

Classificação: 12 anos.

Informações: http://www.projecoesdefe.com/2013/02/o-discurso-do-rei.html