O discurso emotivo

Como melhorar a pregação sagrada: coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 1439 visitas

Depois de abordar os discursos explicativos e persuasivos, quero agora falar com vocês sobre o discurso emotivo.

Toda palestra ou discurso emotivo se volta especialmente à sensibilidade, afetividade e sentimentos dos ouvintes: eu quero fazê-los sentir uma determinada verdade, para que eles se emocionem, se sensibilizem e, como resultado, ajam.

Lembrem-se de que a palestra ou discurso explicativo se volta principalmente à mente. A palestra persuasiva se volta à vontade. E a palestra emotiva se volta principalmente à sensibilidade.

É uma palestra muito propícia em determinados momentos do ano: Natal, Semana Santa, casamentos, aniversários, missas de exéquias, discurso na formatura do filho…

Primeiro, vamos às características deste discurso emotivo:

- Devo desenvolver, como sempre, apenas um tema, de forma vívida, aprofundando dois ou três

aspectos lógicos e estruturados.

- Devo suscitar diversos sentimentos conforme as circunstâncias: alegria ou tristeza, temor ou

confiança, amor ou desafeto, atração ou aversão.

- Devo fazer uso, como também no discurso persuasivo, dos famosos tópicos do filósofo

grego Aristóteles: quem, o que, quando, onde, por quê, para quê, quantas vezes, como

(quis, quid, quando, ubi, cur, ad quid, quotiens, quomodo).

- Devo pronunciá-lo com emoção e carga afetiva. O poeta Horácio dizia: “Se queres que eu chore, tens que chorar primeiro” (Si vis me flere, dolendum est primum ipsi tibi).

- Devo evitar a ternura barata e os parágrafos patéticos de oratória fora de moda. Hoje é mais emocionante contar um fato histórico, um exemplo bem narrado e com um protagonista concreto, do que usar muitas palavras dramáticas e lágrimas fáceis.

- No final, é sempre recomendável citar um papa abordando o tema em questão, pois citar um Santo Padre é subir em ombros de gigante.

Segundo, vejamos o esquema de todo discurso emotivo:

- Uma introdução viva e emocionada, com estatísticas, exemplos, notícias, fatos históricos, contrastes. Tudo narrado com forte carga afetiva.

- Um parágrafo estruturado e cheio de sentimento, que, na oratória, chamamos de proposição: nele eu especifico qual é o fruto espiritual e interior que deve ser conseguido com esta palestra.

- Desenvolvimento do tema em dois ou três aspectos bem valorizados, desenvolvidos e visualizados.

- Uma conclusão ou peroração intensa, em que faço um breve resumo ou recapitulação do discurso.

Terceiro, sugiro o esquema de um possível discurso emotivo.

- Tema: o pecado machuca Deus.

- Em primeiro lugar, o pecado machuca Deus, que é teu Pai… Que tristeza para Deus!

- Em segundo lugar, o pecado machuca Cristo, que é teu amigo íntimo… Que ingratidão!

- Em terceiro ligar, o pecado machuca o Espírito Santo, que é o doce hóspede da tua alma... Que descaramento!

- Por isso, afasta o pecado da tua vida e sente o quanto Deus fica feliz contigo, e sente, ao mesmo tempo, a felicidade e o amor de Deus dentro do teu coração.

- São João Crisóstomo tem um texto esplêndido sobre este assunto. Vou contar para vocês o caso da menina santa Maria Goretti, mártir da pureza, que preferiu morrer a ofender a Deus com o pecado.

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Padre Antonio Rivero tem licenciatura e doutorado em Teologia Espiritual pelo Ateneu Pontifício Regina Apostolorum em Roma. Atualmente exerce seu ministério sacerdotal como professor de teologia e oratória, e diretor espiritual no Seminário Maria Mater Ecclesiae do Brasil.

Caso você queira se comunicar diretamente com o Pe. Antonio Rivero escreva para arivero@legionaries.org  e envie as suas dúvidas e comentários.