O dom da hospitalidade

Um convite para refletir sobre o Dia Mundial do Turismo

Belo Horizonte, (Zenit.org) Patricia Marega Pacheco | 535 visitas

Como sugestão, seguem algumas ideias e conceitos que levam à reflexão sobre o “turismo”, sem limitar a comemoração do Dia ou as recordações de viagens realizadas por cada um.

Inicialmente,resgatando um trecho da Mensagem do Papa João Paulo II em 2004 por ocasião desteDia,que se celebra a 27 de setembro:“...O Dia Mundial do Turismo não só oferece de novo a oportunidade de afirmar a contribuição positiva do turismo para a construção de um mundo mais justo e pacífico, mas também de refletir profundamente sobre as condições concretas em que ele é gerido e praticado”.

A este propósito, a Igreja não pode deixar de reiterar, uma vez mais, o núcleo da sua visão do homem e da história. “Com efeito, o princípio supremo que deve reger a convivência humana é o respeito pela dignidade de cada indivíduo, criado à imagem de Deus e, por conseguinte, irmão de todos os outros.” (Mensagem do Papa João Paulo II para o dia mundial do turismo 2004)

A viagem reflexiva leva também a considerar uma definição do termo “turismo”. A Organização das Nações Unidas e a Organização Mundial de Turismo define turismo “como a atividade do viajante que visita uma localidade fora de seu entorno habitual, por período inferior a um ano, e com propósito principal diferente do exercício de atividade remunerada por entidades do local visitado” (Wikipedia-26/09/13).

Tanto a gestão quanto a prática do turismo estão cercados por princípios de sustentabilidade que remetem ao respeito, às diferenças, à abertura aos outros, à conservação do patrimônio histórico, cultural e natural, enfim, ao entendimento da ecologia tendo em conta o meio ambiente como um todo e não apenas um aspecto.

Ninguém se desloca naturalmente a um local diferente do seu lar, com o objetivo de depreciar o outro lugar, esgotar recursos, ou se entristecer com a falta de beleza do local. Os deslocamentos por turismo geralmente são motivados por interesses diversos e positivos, por motivo de lazer, enriquecimento cultural, contato com a natureza, descanso em um local que tire alguém do contexto habitual, reunir a família para estar um tempo maior juntos, estudo de uma realidade diversa, e assim por diante. O que não poderia faltar para este tempero do turismo é que não pode haver a exploração no sentido pejorativo, nem do patrimônio material, e muito menos do principal patrimônio de qualquer localidade: As pessoas! As que viajam e as que recebem viajantes. Uma relação que pode ser significativamente rica para ambas as partes se existir o respeito pela dignidade de cada um.

Por trás da movimentação gerada pelo turismo está o serviço de milhões de pessoas que se empenham por ver nele uma atividade econômica, mas não unicamente, já que se envolvem e descobrem uma vocação para a “arte de bem receber” que é a hospitalidade. Por mais que existam os oportunistas do turismo, o “dom da hospitalidade” faz um se diferenciar do outro e torna viável e mais digna a interação de uns com os outros.

No livro Caminho, no ponto 974, São Josemaria Escrivá cita a hospitalidade no contexto de um anfitrião para um almoço: “Apostolado do almoço”. É a velha hospitalidade dos Patriarcas, com o calor fraternal de Betânia. - Quando se pratica, parece que se entrevê Jesus presidindo, como em casa de Lázaro.”

Quem voltaria a um local onde não foi acolhido, aceito, respeitado?

E quem não se sente movido a agradecer, mesmo que esteja “incluído no pagamento”, a cortesia de um profissional que trabalha no turismo de forma cortês, gentil, amável...

Quantas virtudes menores estão por trás desta grande virtude da hospitalidade? E quanto se pode melhorar o relacionamento entre diferentes povos se busca a prática dela e de todas as outras!

Servir é um dom divino! O primeiro a servir foi o próprio Deus enviando o Seu Filho Único para servir redimindo!

E “A hospitalidade é partilha da vida. Isabel e Maria hospedam-se reciprocamente, partilhando o lar e o alimento, a trepidação e as alegrias, a fragilidade e a coragem. E nesta partilha da vida chegam a comparticipar do próprio coração de todas as vidas: Deus que habita em cada vida humana. Deus que visita todos os acontecimentos da história.” homilia do cardeal Tarcisio Bertone na celebração eucarística para os bons votos de natal à secretaria de estado quinta-feira, 21 de Dezembro de 2006.

*Patricia Marega Pacheco é gerente de recursos humanos no segmento de turismo e hospitalidade; formada em turismo; pós graduada em hotelaria e em contabilidade e finanças.