O esplendor da igreja fascinava, confessa bispo

D. António Couto fala de sua vocação sacerdotal

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BRAGA, terça-feira, 23 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- O bispo auxiliar de Braga, D. António Couto, confessou que uma das belas imagens que ele guarda do despertar de sua vocação sacerdotal, quando criança, é a do esplendor de sua paróquia.

D. António Couto completa esta terça-feira um ano de episcopado na diocese de Braga. Ele conversou com a Agência Ecclesia sobre sua vocação, entre outros temas.

O bispo confessou que sempre gostou muito de sua paróquia. “É uma igreja antiga, românica de origem, e muito bonita ao ponto de ficarmos esmagados pelo seu esplendor. E para uma criança que andava no mundo dos adultos, isso fascinava-me.”

“Lembro-me de entrar na igreja e sentir que aquilo era outra coisa. Em minha casa, era preciso uma candeia acesa para se ver alguma coisa. Na igreja tudo era grandioso. Os mosaicos, os dourados das talhas, um mundo fabuloso para uma criança.”

“Muitas vezes --prossegue o prelado--, durante a semana, eu ia à missa porque gostava de estar no meio daquela sublimidade. Isso é que me levava a aproximar daquele lugar sagrado. E gostava de ser acólito.”

Segundo D. António Couto, o pároco de sua comunidade era muito idoso. Ele “estava na paróquia há mais de 50 anos e dizia, para estimular os rapazes, que quem chegasse primeiro ajudava no altar como acólito. E era quase sempre eu. A missa era às 6h30 mas eu ia mais cedo para chegar em primeiro lugar”.

Nesse contexo, afirma o bispo, “fascinava-me o sagrado e a igreja, aquele mundo, mas não tinha colocado a hipótese do sacerdócio”.

“Entretanto passou um padre pela minha escola, como era habitual naquela altura, e perguntou quem gostaria de ser padre. Houve uns três ou quatro que levantaram a mão. E eu fui um deles.”

O sacerdote passou a enviar-lhe livros, santinhos, além de fazer alguma visita. “E foi aí que comecei a pensar no assunto sozinho”.

D. António Couto recorda que, quando ele decidiu ingressar no seminário, em sua casa ninguém gostou: “houve um silêncio sepulcral”.

Mas ele confessa sua convicção. “Decidi sozinho. Passava horas a pensar no assunto, mesmo de noite eu pensava. E decidi de fato que ia, porque percebi uma presença de Deus muito perto de mim”.