O exorcismo

Entrevista com o diácono Rogério Almeida Alves

São Paulo, (Zenit.org) Edson Sampel | 1223 visitas

Vamos entrevistar o diácono permanente Rogério Almeida Alves, da Arquidiocese de São Paulo. Alves é um estudioso do exorcismo e vai nos ajudar a entender um assunto que parece ser tabu na Igreja. O exorcismo não é um tema debatido nas comunidades e, quando excogitado, geralmente provoca opiniões conflitantes.

ZENIT: Comecemos com uma pergunta que me soa absolutamente necessária. Por que seu interesse pelo exorcismo, diácono?

Diácono Rogério: Desde a minha juventude busquei sacerdotes exorcistas para abençoar-me e a água e o sal que levava para casa, para proteção dada pela Igreja Católica. Padre Miguel de Cotia, Padre Jose da Igreja São Gonzalo, Padre Gregório do Orfanato São Judas Tadeu, eram verdadeiramente Padres Santos que tive o privilégio de conviver.

ZENIT: Outra pergunta que reputo estritamente fundamental para iniciar esta entrevista: o diabo existe? Qual é a diferença entre “diabo” e “demônio”?

Diácono Rogério: Sim ele existe, pois o próprio Senhor Jesus nos alertou muitas vezes que ele é o pai da mentira e vem para roubar, destruir e matar. O evangelho de São Marcos já no primeiro capítulo apresenta claramente a quotidianidade da relação entre o humano e o demônio.

A maior tentação do demônio nos dias atuais, é fazer as pessoas acreditar que o demônio não existe e que isso era coisa do passado, o pior ocorre quando isso é ensinado por alguns teólogos dentro dos seminários, deformando, em vez de formar a consciência de sua ação aos futuros sacerdotes.

Jesus instituiu sua Igreja Católica Apostólica Romana, e deu poder em nome Dele para expulsá-lo, esta mesma Igreja, através do Magistério Autêntico, tem ensinado seus filhos(as), através dos documentos e catecismo, da existência do demônio e suas obras maléficas.

Jesus venceu o Mal na força do Espírito Santo, e delegou à Igreja e a seus filhos(as)  esse poder e proteção. Os Padres exorcistas são escolhidos pelo Bispo segundo os critérios do Código Canônico, cabe só a eles exercer o ritual do exorcismo individual ou não.

Os Católicos leigos, que vivem bem o seu batismo, também devem expulsar individualmente de suas vidas e suas casas todo mal, em nome de Jesus,  vivendo uma vida sacramental, com amor filial à Virgem Santíssima e a São José,  pois na graça de Deus, estaremos sempre protegidos. Quanto à segunda parte da pergunta, Satanás ou Diabo é o chefe dos demônios: Lúcifer. Os demônios são os anjos decaídos que o seguiram.

ZENIT: Que tipo de mal o Diabo pode nos fazer? Deus não é mais forte que o Diabo?

Diácono Rogério: Como narram os Evangelhos e demonstra a experiência de muitos exorcistas, muitos são os malefícios que o demônio quer lançar sobre a humanidade. Para aqueles que quiserem ler com detalhes essa ação, indico os livros do Padre Gabriele Amorth, grande exorcista de Roma, pelo menos são quatro livros que ele já publicou.

O mal já está derrotado pela salvação dada por Jesus Cristo, o Filho de Deus Vivo, mas como ele não pode  vingar-se de Deus, tenta contra  os filhos(as) de Deus, como está em Apocalipse, Cap. 12. Seu plano maior é tentar levar as pessoas a não acreditar que ele existe, a não acreditar em Deus e na Salvação dada por Jesus. Ele tenta até o fim da vida, para fazer com que percamos a salvação.

Hoje ele trabalha tentando levar o mundo a acreditar que a Era de Jesus já passou, que foi por um tempo, assim ele tenta levar as almas para a condenação. Deus é infinitamente maior que Satanás e seus anjos caídos, mas Deus sempre respeita nossa liberdade, somos nós que escolhemos a quem queremos servir, se a Deus e seu Reino ou não.

A Santíssima Trindade já nos deu, por Jesus e sua Igreja, os meios para vencer o mal, a liberdade de escolha esta em nós. Por isso a Igreja hoje vê a necessidade de evangelizar novamente os batizados, que não estão suficientemente evangelizados, e os não batizados, para não caírem no prurido de escutar novidades e falsas doutrinas espalhadas pelos ministros do mal. Hoje percebemos o mal crescente nas violências, fraudes, abortos, a falta de caridade espalhada nas sociedades etc.  Deus é infinitamente mais forte que o mal, e está sempre ao nosso lado para nos proteger, cabe a nós entregar nossa liberdade a Deus, para que Ele nos conduza, nos guie.