O fundamental e o não fundamental

Agiremos como racionalistas, se quisermos provar tudo; provar nossa crença

São Paulo, (Zenit.org) Edson Sampel | 498 visitas

Milagre eucarístico de Lanciano, bilocação, incorruptibilidade dos cadáveres de determinados santos, estigmas, imagens que choram etc. Sabe o que estes fenômenos extraordinários têm em comum? Nenhum deles é fundamental para a fé!

O fundamental para a fé cristã se encontra no credo, recitado domingo na missa: as verdades declinadas no chamado “símbolo dos apóstolos”. Fundamental é, também, a Igreja católica. Fundamentais são outrossim os sacramentos administrados pelos clérigos. Fundamental é a oração. Fundamentais são as boas obras.  Fundamental é, ainda, a intercessão de nossa Senhora.

Não quero dizer que as ocorrências mencionadas no primeiro parágrafo sejam falsas ou fantasiosas. Acredito piamente que se trata de manifestações autênticas. Todavia, não se pode embasar a crença em Deus nas aludidas manifestações. Seria como dar uma de são Tomé! Aliás, o milagre eucarístico de Lanciano advém de uma postura similar a de são Tomé: um padre na Itália que duvidou da presença real do  corpo de Cristo na hóstia consagrada.

Precisamos escoimar nossa prática religiosa daquilo que não é fundamental. Agiremos como racionalistas, se quisermos provar tudo; provar nossa crença... A fé madura está alicerçada no fundamental, não no acessório.

O maravilhoso na Igreja é Cristo, seu divino fundador. O maior milagre que se espera, tão suplicado pelo papa Francisco na recente JMJ, é o milagre de uma sociedade fraterna, justa, prenhe de vida abundante (Jo 10,10). Neste ponto, os leigos possuem uma responsabilidade enorme, porquanto devem animar e aperfeiçoar a ordem temporal com o espírito do evangelho (cf. cânon 225, §2.º).