O homem não é uma ilha

UNESCO: Mons. Francesco Follo afirma que homens e mulheres são feitos para "viver humanamente juntos" e para criar as condições que tornem esse viver juntos o mais feliz possível

Roma, (Zenit.org) Antonio Gaspari | 889 visitas

"A primeira tarefa que liga o ser humano ao seu próximo é a de querer o bem comum. Esta verdade é uma verdade capital". Com estas palavras, mons. Francesco Follo, chefe da delegação da Santa Sé, abriu nesta manhã o seu discurso na 37ª Sessão da Conferência Geral da UNESCO, em Paris.

Falando da educação e da sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, o prelado sublinhou a importância da partilha e explicou que "rico" não é aquele que possui, mas aquele que transmite e compartilha, enfatizando que todos "somos convidados a compartilhar".

A partilha material e espiritual não implica empobrecimento: "é um enriquecimento mútuo". E como disse o papa Francisco, "é só quando somos capazes de compartilhar que nos enriquecemos de verdade".

Mons. Follo abordou depois o reconhecimento da contribuição dos jovens. "Toda voz humana deve ser ouvida. Os jovens e os idosos constroem o futuro dos povos. Os jovens, porque levarão a história adiante; os idosos, porque transmitem a experiência e a sabedoria de vida. A voz dos jovens sempre nos lembrará do que nós precisamos dar a eles, mas também, e isso é igualmente importante, do que eles podem dar a nós [...] Os jovens são capazes de viver no amor e de ser solidários com todos os seus irmãos na humanidade, sem qualquer discriminação".

Follo afirmou que a Santa Sé apoia os objetivos da UNESCO, especialmente os de desenvolvimento social inclusivo e a sua articulação com o diálogo intercultural e a reconciliação das culturas.

O chefe da delegação da Santa Sé tratou em seguida do papel e da contribuição para o desenvolvimento social, explicando que "a educação, a vida na cidade, a paz e tantas outras realidades não podem dar fruto se as nossas preocupações não forem propriamente espirituais".

O monsenhor citou o magistério pontifício, o cardeal Jean Daniélou e o filósofo Jürgen Habermas para reiterar a dimensão social da vida espiritual e o "papel público que o cristianismo (e todas as religiões) podem desempenhar na promoção do ser humano e no bem comum de toda a humanidade, no respeito e na promoção das liberdades religiosas e civis de todos e de cada indivíduo".

Segundo o prelado, a capacidade de moldar o futuro de sociedades pacíficas cresce onde é permitida a experiência da transcendência. "Quando os homens compreendem que o mundo é muito mais do que a terra que eles trabalham com seus conceitos técnicos e econômicos, os seus horizontes estreitos se alargam para além das questões que os preocupam".

Mons. Follo concluiu a fala convidando a assembleia a "colocar a pessoa, o seu desenvolvimento integral e o bem comum no coração dos nossos pensamentos e das nossas ações". Só assim "a UNESCO será fiel à sua definição, à sua vocação e à sua missão no serviço da humanidade do homem".