"O IOR não deve se alinhar com o sistema econômico e financeiro mundial"

Novo presidente Jean-Baptiste de Franssu salienta necessidade de uma "instituição equivalente a um banco" para todas as instituições relacionadas com a Santa Sé

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Luca Marcolivio | 386 visitas

Uma missão aceita "com alegria" e que exige "muita humildade": assim Jean-Baptiste de Franssu comentou a sua nomeação como presidente do Instituto para as Obras de Religião (IOR).

Francês, 51 anos, casado e pai de quatro filhos, De Franssu tem vasta experiência em finanças internacionais. Em entrevista à Rádio Vaticano, ele disse que vê o seu trabalho "como uma missão" e que espera "atender as expectativas".

Comparado com o antecessor, Ernst von Freyberg, o novo presidente do IOR reconheceu ter a "grande vantagem" de chegar "depois do trabalho que ele já fez".

De Franssu já está envolvido no trabalho da Comissão Cosea desde agosto de 2013 e no Conselho de Economia desde 2 de maio de 2014. Nesta fase, ele conquistou "um melhor conhecimento e compreensão do funcionamento administrativo e financeiro da organização da Santa Sé" e "da direção que o Santo Padre quer dar a toda a organização".

De acordo com De Franssu, o papa Francisco tem em mente um IOR que, de acordo com a sua pregação, cumpra a missão da Igreja de "ajudar os pobres" e de "propagar a fé". Serão abordadas as "ferramentas" confiadas ao IOR para esse fim.

O "segundo elemento" significativo do novo IOR destacado por De Franssu é a "maior transparência", já incentivada pelo papa Bento XVI com a nomeação de Von Freyberg. “O IOR não deve ser diferente dos principais bancos”, disse o novo presidente. “Mas ele tem um foco muito importante nos clientes: temos que satisfazer as expectativas do cliente de atender as necessidades das congregações e das dioceses, tanto em termos de qualidade de serviço como de qualidade dos produtos".

De Franssu negou que o IOR vá se alinhar ao "sistema econômico e financeiro mundial", embora afirme a necessidade óbvia do respeito "imperativo" pelo "conjunto das regras internacionais".

Como conciliar a necessidade de gerar lucros com o respeito do IOR pela ​​"ética" e pela "transparência"? Para De Franssu, a Santa Sé precisa de uma "instituição equivalente a um banco" e que permita as transações com o mundo exterior, onde o IOR se limite a ser uma "instituição financeira".

É desejável e "normal" que todos os dicastérios, congregações e dioceses "possam se relacionar com uma estrutura da Santa Sé em vez de se relacionarem com outros bancos comerciais, com os quais nem sempre compartilhamos todos os valores".

Quanto à temida perspectiva de um fechamento do IOR, De Franssu afirmou que "era importante analisar as possibilidades", mas, "estudando-se a hipótese, percebemos que precisávamos do IOR".

A realidade do mundo financeiro de hoje, em mudança constante e vertiginosa, com destaque para "a falta de um número suficiente de profissionais do setor": é ela que faz o Santo Padre ter a intenção de "envolver cada vez mais profissionais em todos os aspectos da vida administrativa e financeira, a fim de ajudar a Igreja", concluiu De Franssu.