O jornalismo à luz do dogma católico

"As boas notícias são notícias ótimas"

Roma, (Zenit.org) Nicola Rosetti | 694 visitas

Como todos podemos facilmente verificar, o mundo da informação é regido pelas más notícias.

Basta ligar a televisão nos horários das refeições ou ler um jornal para perceber que 95% das notícias estão ali para nos lembrar que esta vida é mesmo um vale de lágrimas!

Se quiséssemos interpretar este modo de prestar informações à luz da visão cristã, poderíamos dizer que o jornalismo se baseia no dogma do pecado original: o homem, que, por resultado desse pecado, está inclinado para o mal, se interessa pelas notícias que descrevem melhor o mistério da iniquidade.

Daí que os jornalistas se esbaldem ao relatar crimes, escândalos e todo tipo de desgraças, recheando-os com todos os detalhes, de preferência os mais sensacionalistas e macabros.

O repórter sabe quais notícias “agradam” ao leitor, e, para vender bem o seu produto, prefere buscar o lado mais sombrio da realidade e publicá-lo. Olha para tudo, mas, de maneira utilitarista, prefere contar o que há de pior do mundo!

Na visão cristã, porém, o homem não está abandonado às suas culpas e às suas feiúras, nem faz somente coisas ruins.

O homem é alvo de um extraordinário amor de Deus, a ponto de o Pai ter enviado à terra o seu Filho, que morreu e ressuscitou. Junto com o dogma do pecado original, há também, portanto, os dogmas da Encarnação e da Morte e Ressurreição de Cristo.

Com a Encarnação, o divino habitou no humano e o elevou a uma dignidade superior, e, com a Morte e Ressurreição, Jesus alimentou nos crentes a esperança e os convidou a olhar para a realidade com maior confiança.

Motivados por esta fé, procuramos dar voz às muitas coisas boas que acontecem e que tantas vezes não encontram espaço na mídia.

Relatamos os esforços e a alegria de muitos trabalhadores, descrevemos o que acontece nas nossas paróquias, dando destaque para os movimentos e para as associações. Falamos da beleza que se manifesta através da arte.

Procuramos, enfim, dar um tipo diferente de informação, tentando descrever, como já disse muitas vezes, mais a floresta que cresce do que a árvore que cai.

Quisemos romper, com as nossas pequenas possibilidades, o dogma do jornalismo contemporâneo, que se baseia no axioma de que "más notícias são boas notícias", convictos que somos de que "as boas notícias são notícias ótimas"!

Estamos convencidos de que é melhor acender um fósforo do que lamentar a escuridão. E gostaríamos de continuar trilhando este caminho.

Que outro olhar devemos ter, afinal, se acreditamos que Cristo ressuscitou dos mortos? Como podemos ter outra visão se acreditamos no evangelho, que quer dizer, precisamente, “a boa nova”?

Agradecemos de coração a todos os nossos leitores, a todos aqueles que, nestes meses, nos apoiaram e nos incentivaram.

Um especial “muito obrigado” ao nosso bispo Gervasio Gestori, a todos os colaboradores e à redação de Zenit, com a qual começamos uma significativa parceria profissional e uma amizade baseada numa ideia comum sobre o bem.

Neste mês de agosto [época de férias no hemisfério Norte, ndr], não vamos parar: vamos, isto sim, continuar planejando o novo ano pastoral, procurando oferecer um serviço cada vez melhor e atualizando também a estrutura do jornal.

(Publicado pela Âncora Online, semanário da diocese italiana de San Benedetto del Tronto, parceira de Zenit para a difusão de boas notícias)