"O migrante obriga cada um de nós a 'emigrar' de nós mesmos"

Pe.Gabriele Bentoglio no XII Encontro de Formação de Agentes Sócios Pastorais das Migrações em Fátima

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ROMA, segunda-feira, 23 de janeiro de 2012 (ZENIT.org) - Terminou neste domingo, dia 22 de janeiro, em Fátima, o XII Encontro de Formação de Agentes Sócio Pastorais das Migrações com o pronunciamento de Pe. Gabriele Bentoglio, subsecretário do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes.

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O Encontro foi organizado pela Obra Católica Portuguesa de Migrações, Caritas Portuguesa e Agência Ecclesia. Os objetivos foram: olhar Portugal a partir das pessoas que fazem a sua história na dimensão migratória; promover o conhecimento da realidade dos fluxos migratórios de entrada e saída do país na atualidade; tomar conhecimento das políticas das migrações, em curso no Estado Português; refletir sobre as respostas que se dão a nível da Igreja em Portugal e nas Comunidades Portuguesas da diáspora; conhecer as orientações pastorais da Igreja para as Migrações e celebrar os 50 anos da fundação da Obra Católica Portuguesa de Migrações.

No encerramento do encontro,  Pe. Gabriele Bentoglio, subsecretário do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes apresentou as “Linhas de orientação pastoral da Igreja para a realidade migratória atual”.

Após analisar a realidade do fenômeno migratório em Portugal e seus diversos âmbitos foi apresentado o aspecto pastoral, relativo ao serviço específico que a Igreja Católica pode oferecer neste contexto.

O documento citado mostra que a dinâmica migratória tem estimulado várias transformações positivas a nível social, por exemplo, “a coexistência de diferentes comunidades étnicas num único território”, que “oferece uma grande oportunidade de intercâmbio cultural a vários níveis: linguístico, literário, religioso, artístico, gastronómico e muitos outros”.

Portugal é um “país de emigração e imigração”, com quase 500 000 imigrantes sobre um total de mais de 10 milhões de pessoas no país (4,25% da população total), em 2009,  e cerca de 4,3 milhões de portugueses ou descendentes de portugueses, residentes no estrangeiro.

Após a descrição do quadro de ação da realidade migratória, foi apresentada a dimensão pastoral “caracterizada pela prioridade dada à pessoa humana em sua dimensão integral”. Esta, “no contexto da mobilidade humana direciona os seus esforços para fazer da migração uma escolha, e não um constrangimento”.

O aspecto da “promoção da dimensão intercultural requer a aceitação de valores e de princípios fundamentais”, que constituem uma única "família dos povos”, expressa o texto,comocitado por Bento XVI em sua mensagem para a Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado do ano passado. Entre os príncipio citados estão o da democracia, igualdade de direitos e da liberdade religiosa.

Desatcou-se a importancia da equipe pastoral e das estruturas de pastoral migratória para a promoção e adoção destes valores; que podem “favorecer a abertura à sociedade de acolhimento, na medida em que estão abertas ao diálogo”.

Foi sugerido como “solicitude pastoral” em favor do discurso intercultural que se falasse de “interculturalidade mais do que de multiculturalidade”, que não consiste simplesmente em “constatar a presença de duas ou mais culturas num mesmo espaço geográfico, mas, sobretudo, indicar as relações elaboradas entre as culturas presentes”.

O documento doConselho Pontifício da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes chama atenção para um acolhimento autêntico que se torna providencial pois “o migrante obriga cada um de nós a "emigrar" de nós mesmos para comunhão e universalidade”.

O Encontro contou também com a participação de Feliciano Barreiras Duarte, Secretário de Estado Adjunto do Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, na apresentação do tema sobre Posição e Políticas de Migrações no País Atual, tendo como moderador oPe. José Manuel Pereira de Almeida do Secretariado Nacional da Pastoral Social.

Maria Emília Marega