O milagre de João Paulo II é um grande presente para a América Latina

Diretor da Rádio Maria da Costa Rica fala do encontro com Floribeth Mora

Roma, (Zenit.org) Daniele Trenca | 1313 visitas

No próximo dia 27 de abril, uma solene cerimônia elevará o papa João Paulo II aos altares. Menos de uma década depois da morte de João Paulo II e dois anos após a beatificação, termina o processo para a santificação de Karol Wojtyla,acelerado pelo reconhecimento de um milagre que ocorreu no mesmo dia da beatificação, 1º de maio de 2011.

O personagem principal é Floribeth Mora Díaz, da Costa Rica: depois de sofrer um acidente vascular cerebral hemorrágico, os médicos não lhe deram nenhuma esperança de recuperação. A impossibilidade do fechamento de uma artéria localizada em uma região inacessível do seu cérebro a fazia rezar constantemente ao papa polonês.A notícia do milagre causou alvoroço no pequeno país centro-americano, que rapidamente chegou às manchetes internacionais.

Tivemos a alegria de conversar com o pe. Emilio Garreaud, diretor da Rádio Maria e reitor da Universidade João Paulo II na Costa Rica, que conheceu a Sra. Mora Díaz pessoalmente.

Pe. Emilio, você pode nos contar um pouco do seu encontro com Floribeth Mora?

Pe. Emilio Garreaud: Eu tenho uma relação forte com a pessoa de João Paulo II. É muito importante, para nós, na Costa Rica, este milagre. Floribeth é uma pessoa que vive num povoadinho chamado Dulce Nombre de Jesús.Nós fizemos uma entrevista com ela, para a Rádio Maria, no consistório de segunda-feira passada, dia 30 de setembro. Para mim foi uma coisa maravilhosa estar com ela e vê-la feliz, ela e o marido. É muito interessante, porque ela estava doente, no hospital, e os médicos chegaram a dizer que era melhor morrer em casa.Ela foi levada para casa, para o quarto dela, e todos os dias eram terríveis.Naquela época, justamente, foi celebrada a beatificação de João Paulo II.Floribeth tinha dores de cabeça fortíssimas, mas ela fez um esforço enorme e acompanhou a beatificação pela TV junto com a família.Na cama, ela pediu muito a graça de ser curada pela intercessão do papa. À noite ela adormeceu e foi naquele momento que aconteceu o milagre.Acabaram as dores de cabeça. Na manhã seguinte, ela começou a andar e disse para o marido: "Aconteceu alguma coisa".Ela conseguia andar, falar... era um milagre! O processo completo da cura durou oito meses.No hospital, os médicos a submeteram a uma radiografia e constataram que na cabeça dela não havia mais nenhum vestígio da doença.Cientificamente, era impossível. Este é o milagre de João Paulo II.

Como ela está hoje?

Pe. Emilio Garreaud: Ela está bem.Eu estive com ela na semana passada, numa escola onde ela deu o seu testemunho. É uma bela história, porque, depois do milagre, ela foi a uma igreja que tinha uma relíquia de João Paulo II e falou com o padre, contou o que tinha acontecido com ela. A história dela foi relatada num site da paróquia, e, três meses depois, o padre recebeu um telefonema do Vaticano. Aí começou o processo confidencial com um comitê de quatro padres, que viajaram até a Costa Rica para entender o que realmente tinha acontecido. Meses depois, foi anunciado ao mundo o milagre.

Para ela, deve ter sido uma experiência muito poderosa, pois fortalece ainda mais a relação que ela já tinha com João Paulo II.

Pe. Emilio Garreaud: Claro. Eu fico extremamente emocionado, primeiro porque trabalho na paróquia vizinha à do milagre. Segundo, porque é na Costa Rica, que é um país tão pequeno, de quatro milhões e meio de habitantes. Uma excelente ocasião para rezar a Deus por intercessão de João Paulo II por este milagre e uma ocasião igualmente importante para a evangelização da Costa Rica.

Mais uma vez a América Latina é protagonista. Depois da eleição do papa argentino e da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, temos o milagre de João Paulo II numa mulher da América Central.

Pe. Emilio Garreaud: A América Latina é metade da Igreja e eu acho que é um sinal muito grande de Deus para nós. Eu acho que é um momento importante de conversão para o nosso continente, o momento de dar testemunho da nossa fé, particularmente da nossa maneira de vivê-la na América Latina. Todas as classificações dizem que a Costa Rica é o país mais feliz do mundo, porque é um país de reconciliação e de paz, que não tem exército. É um país de classe média. Eu acredito que, neste momento, a Costa Rica também seja o único país do mundo que é católico pela constituição, além de ser tremendamente mariano.