"O nosso rei escolhe a cruz como trono"

Homilia de Bento XVI no Domingo de Ramos da Paixão do Senhor

| 1353 visitas

Lucas Marcolivio

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 2 de abril de 2012 (ZENIT.org) – O domingo de Ramos é o "grande portal" que nos introduz na semana santa, em palavras de Bento XVI na homilia de ontem (domingo, 1º), durante a missa solene na Praça de São Pedro.

A entrada de Jesus e dos doze em Jerusalém foi marcada pela fervorosa expectativa de uma "grande multidão". Ao longo do caminho, nos arredores de Jericó, um cego chamado Bartimeu fica sabendo da chegada do Messias, que, aproximando-se, lhe atende o pedido de cura (cf. Mc 10,47-52).

Realizado o milagre, a turba se pergunta: “Esse Jesus, que caminha à nossa frente rumo a Jerusalém, é o Messias, o novo Davi? E com a sua iminente entrada na cidade santa, será que chegou a hora em que Deus finalmente vai restaurar o reino de Davi?”.

A entrada de Jesus em Jerusalém, sobre lombo de jumento, é acompanhada pelos gritos de hosana dos peregrinos e por invocações que remetem ao Salmo 118: "Bendito o que vem em nome do Senhor". Um hino de exultação, que "expressa a convicção unânime de que, em Jesus, Deus visitou o seu povo e que o Messias desejado finalmente chegou", disse o papa.

Ele veio, portanto; o Messias, anunciado pelas Escrituras havia séculos. “À luz de Cristo, a humanidade se reconhece unida e envolta no manto da bênção divina, que permeia tudo, sustenta tudo, redime tudo, santifica tudo”.

A mensagem da solenidade de hoje, em primeiro lugar, é “o convite a olhar bem para a humanidade inteira, para as pessoas que formam o mundo, suas diversas culturas e civilizações", disse o pontífice.

O olhar de Cristo é "de bênção", é um olhar "sábio e amoroso, capaz de captar a beleza do mundo e de padecer com ele a sua fragilidade". A partir desta contemplação, brilha o olhar de Deus "para as pessoas que ele ama e para criação, que é obra sua".

Apesar da recepção triunfal, sabe-se que a mesma multidão, poucos dias depois, gritará para Pilatos: "Crucifica-o!". E mesmo os discípulos permanecerão "mudos e perplexos". Este resultado, prosseguiu o papa, deve levar-nos às perguntas: "Quem é para nós Jesus de Nazaré? Que ideia fazemos do Messias, que ideia temos de Deus?".

Na Semana Santa, recém-começada, somos chamados a "seguir o nosso rei que escolheu a cruz como trono" e que "não garante a felicidade terrena fácil, mas a felicidade do céu, a bem-aventurança de Deus".

A solene liturgia de hoje coincide com a XXVII Jornada Mundial da Juventude em nível diocesano, cujo tema é Alegrai-vos sempre no Senhor! (Fil 4,4). O Santo Padre se dirigiu aos jovens presentes na Praça de São Pedro e indicou no domingo de Ramos "o dia da decisão de acolher o Senhor e de segui-lo até o fim, de fazer da sua Páscoa de morte e ressurreição o próprio sentido da vida como cristãos".

Um exemplo atemporal do seguimento de Jesus é o de Santa Clara de Assis, que, exatamente oitocentos anos atrás, aos 18 anos, inspirada pelo exemplo de São Francisco, "teve a coragem da fé e do amor de tomar uma decisão por Cristo, encontrando nele a alegria e a paz".

Bento XVI recordou os sentimentos que devem animar a nossa Semana Santa: o louvor e o agradecimento a Deus pelo "dom maior que se possa imaginar: a sua vida, o seu corpo e sangue, o seu amor".