O papa aos armênios ortodoxos: carregar com humildade o peso uns dos outros

Encontro do Santo Padre com Sua Santidade Aram I, da Igreja Armênia Apostólica da Cilícia

Roma, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 330 visitas

O papa Francisco recebeu esta manhã Sua Santidade Aram I, “katholikós” da Igreja Armênia Apostólica da Cilícia. Após o encontro privado, cada um fez seu discurso oficial. No encerramento do encontro, os dois líderes oraram juntos na Capela Redemptoris Mater.

O papa agradeceu a Deus "pelas relações fraternas que nos unem e pelo contínuo progresso" no diálogo, considerando "um autêntico dom de Deus o fato de compartilhar este momento de encontro e de oração em comum". Logo antes, o Santo Padre tinha recordado que, um mês atrás, também teve "o prazer de receber Sua Santidade, o ‘katholikós’ Karekin II".

Dirigindo-se a Aram I, Francisco destacou: "É bem conhecido por todos o compromisso de Sua Santidade com a causa da unidade entre os crentes em Cristo". O papa recordou que Aram I "desempenhou papéis de primeira magnitude no Conselho Ecumênico das Igrejas e continua oferecendo um apoio eficaz ao Conselho das Igrejas do Oriente Médio, que tem um papel precioso no apoio às comunidades cristãs da região, tão submetidas a provações com numerosas dificuldades".

O pontífice mencionou também “a qualificada contribuição oferecida por Vossa Santidade” e pelos representantes da Igreja da Cilícia “à comissão mista de diálogo entre a Igreja católica e as Igrejas ortodoxas orientais”. A este propósito, Francisco destaca que, "no caminho rumo à plena comunhão, compartilhamos as mesmas esperanças e o mesmo compromisso responsável, conscientes de caminhar na vontade do Senhor Jesus Cristo".

Aram I representa uma parte do mundo cristão profundamente marcada por uma história de provações e sofrimentos, "aceitos valorosamente por amor a Deus", observou Francisco, afirmando ainda que a Igreja Apostólica Armênia se viu obrigada a transformar-se em um povo peregrino, "experimentado de forma singular o próprio ‘ser em caminho’ rumo ao Reino de Deus (...) A história de emigração, perseguição e martírio de tão numerosos fiéis deixou feridas profundas no coração de todos os armênios. Devemos vê-las e venerá-las como feridas do corpo do próprio Cristo: precisamente por isto, elas também são causa de inquebrantável esperança e confiança na misericórdia que procede do Pai".

Francisco enfatizou: "Confiança e esperança, precisamos muito delas", tanto os irmãos cristãos do Oriente Médio quanto "nós, cristãos que não precisamos enfrentar essas dificuldades, mas que frequentemente arriscamos nos perder nos desertos da indiferença e do esquecimento de Deus, ou de viver no conflito entre irmãos, ou de sucumbir em nossas batalhas interiores contra o pecado (...) Como seguidores de Jesus, temos que aprender a carregar com humildade o peso uns dos outros, ajudando-nos assim a ser mais cristãos, mais discípulos de Jesus".

Ao encerrar, o pontífice pediu que o Espírito Santo "inspire o nosso caminho rumo à unidade e nos ensine a alimentar os laços de fraternidade que já nos unem no único batismo e na única fé".