O papa confirma a nova estrutura que passa a gerir a economia e a administração do Vaticano

Uma Secretaria de Economia, um Conselho de Economia e um Revisor Geral. Administração do Patrimônio da Sé Apostólica assume oficialmente o papel de banco do Vaticano. Sobre o futuro do IOR ainda não há informações.

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 363 visitas

Uma nova estrutura para coordenar os assuntos econômicos e administrativos da Santa Sé foi criada pelo papa Francisco, assessorado pelo conselho de oito cardeais, após a análise do relatório da Comissão COSEA, que estudou “os problemas organizacionais e econômicos da Santa Sé”. 

O anúncio foi feito hoje pelo diretor da sala de imprensa do Vaticano, pe. Federico Lombardi, que confirmou a permissão do Santo Padre para a divulgação da notícia, adiantando o motu proprio a ser publicado na tarde de hoje no diário oficial do Vaticano, o Osservatore Romano. Com este motu proprio, Francisco oficializa a mudança na gestão e no controle dos bens do Vaticano.

Lombardi acrescentou que “os estatutos finais deverão completar estas novas disposições, assim como outras questões relacionadas”.

Dois novos órgãos serão criados: uma Secretaria de Economia, dirigida por um prefeito, que será o cardeal de Sidney, George Pell; e um Conselho de Economia, com 15 membros, dos quais oito serão cardeais ou bispos.

Haverá também um Revisor Geral, nomeado pelo Santo Padre, com poder para inspecionar qualquer agência ou instituição da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano.

A Secretaria de Economia terá autoridade sobre todas as atividades econômicas da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano. Caberá a ela fazer também o planejamento financeiro e realizar as funções de apoio, entre as quais a gestão dos recursos humanos. Além disso, a nova Secretaria deverá preparar o balanço detalhado da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano.

O Conselho de Economia, por sua vez, avaliará as diretrizes e gestões concretas e os informes sobre as atividades econômicas e administrativas da Santa Sé.

Foi confirmado, também, o papel da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA) como equivalente ao banco central do Vaticano, com todas as obrigações e responsabilidades das instituições análogas no mundo. “A APSA sempre foi”, observou o pe. Lombardi, “o banco da Santa Sé, já que é ela que administra os bens móveis e imóveis”.

Quanto ao IOR, o Instituto para as Obras de Religião, que era o órgão popularmente conhecido até agora como o “banco do Vaticano”, Lombardi afirma que “por enquanto não há informações”. O porta-voz ressaltou, porém, que o IOR “não é o banco do Vaticano”, apesar da confusão geral que persiste a seu respeito.