O papa convida Capriles a promover o diálogo na Venezuela

O líder da oposição venezuelana denuncia um clima de confronto, a existência de presos políticos, uma situação económica difícil e o medo que quer condicionar o resultado do voto nas eleições de dezembro

Roma, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 368 visitas

O Santo Padre recebeu hoje em audiência privada Henrique Capriles, o líder da oposição na Venezuela. O encontro aconteceu em uma sala adjacente à sala Paulo VI, depois da audiência geral que se realizou na praça de São Pedro.

Após a reunião, que durou 20 minutos, Capriles saiu à Praça de São Pedro para encontrar-se e cumprimentar os compatriotas que ali se encontravam. ZENIT estava lá e em declarações aos jornalistas disse: "Se vocês querem que eu resuma em uma palavra o encontro com o papa, com sua santidade e as palavras do papa, (é esta): diálogo”.

Capriles disse que "sua santidade é ciente da situação do nosso país" e que a situação na Venezuela , hoje, é a mais complexa e controversa de toda a América" , não há nenhum outro país neste momento na América que está vivendo a situação da Venezuela" .

Sobre o papel da Igreja na Venezuela, Capriles indicou que acredita que "a Igreja tem no meu país o poder de convocação para promover um diálogo sincero, honesto, sobre a base da verdade”. E é por isso, afirmou, que “viemos pedir à Igreja que seja promotora do diálogo no nosso país, têm com o que fazê-lo, têm além do mais a autoridade moral para fazê-lo, têm a capacidade de chamar a todos”.

Outra questão que o líder da oposição venezuelana informou ao Santo Padre é que o "Governo alimenta confronto diário, a luta entre os venezuelanos e essa - comentou Capriles - não é a tarefa de nenhum governo e menos de quem se qualifica como democrático". Por outro lado, disse: "a democracia não é uma democracia como tal, é um regime que só eles interpretam a seu modo."

Além disso, o líder da oposição esclareceu que expôs ao santo Padre a situação que está vivendo a Venezuela: "Nós viemos pedir à sua Santidade para ajudar a todos os venezuelanos a encontrar o caminho da paz", para que cesse essa divisão e a linguagem de ameaça que se está vivendo.

Para o diálogo, disse Capriles, é preciso as duas partes, “nós estamos absolutamente dispostos a dialogar com a verdade, sem chantagens, sem uma pistola na cabeça”, afirmou.

Ao lembrar que as próximas eleições serão no dia 8 de dezembro, manifestou que “deve impor-se a vontade do povo, não a vontade de quem controla as instituições”.

Disse também que lhe falou da difícil situação econômica e da existência de presos políticos.

Capriles acrescentou que entregou ao papa vários presentes, entre os quais uma imagem da patrona de Venezuela, a Virgem de Coromoto. Dessa forma, acrescentou que “os presentes que lhe trouxemos à sua Santidade são porque os sentimos”. Além do mais, entregaram a Francisco cartas de muitos venezuelanos em um CD. Os presos políticos, também quiseram ser partícipes destes presentes, fizeram uma imagem da patrona venezuelana. Disse porém que ele não se aproxima da Igreja quando se aproximam eleições ou quando lhe convém.

Concluindo seu discurso de improviso aos repórteres na Praça de São Pedro, disse que o novo Secretário de Estado do Vaticano, monsenhor Parolin, tendo sido núncio apostólico na Venezuela, conhece muito bem a realidade do país. "Tenho certeza que mons Parolin pode ajudar muito, desde o seu cargo aqui no Vaticano, nessa promoção de diálogo em nosso país”.

Tradução Thácio Siqueira