O papa Francisco fala aos empresários: "Abram os olhos e não fiquem de braços cruzados"

Na audiência geral de quarta-feira, o Santo Padre fala da alegria da ressurreição e nos convida a nos perguntar: Por que buscamos entre os mortos Aquele que está vivo?

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 424 visitas

Na semana passada, o Santo Padre recebeu uma mensagem de trabalhadores da empresa Lucchini, sediada na cidade italiana de Piombino. A empresa vai ser fechada. O papa Francisco afirmou, na audiência geral desta quarta, que a mensagem o comoveu e o deixou triste. "Queridos trabalhadores, queridos irmãos, nos rostos de vocês se desenhava uma profunda tristeza e preocupação de pais de família, que só pedem o direito de trabalhar, de viver com dignidade e de cuidar, alimentar e educar os próprios filhos". O Santo Padre assegurou a eles a sua proximidade e a sua oração. Francisco os convidou também a não se desanimarem: "O papa está junto com vocês e reza por vocês, para que, quando as esperanças humanas se apagarem, permaneça sempre acesa a esperança divina, que não decepciona nunca". Além disso, Francisco afirmou que os "abraça fraternamente".

A todos os responsáveis pelas empresas, por sua vez, o papa pediu que empreguem "todos os esforços de criatividade e de generosidade para reacender a esperança no coração desses nossos irmãos, no coração de todas as pessoas que ficaram desempregadas por causa do esbanjamento e da crise econômica". O Santo Padre alçou a voz para pedir: "Por favor, abram os olhos e não fiquem de braços cruzados!".

Os doentes foram os primeiros a saudar hoje o Santo Padre na audiência geral. Enquanto a multidão esperava a chegada de Francisco na Praça de São Pedro, o papa dedicava um longo momento a um grupo de doentes e aos seus familiares. O encontro aconteceu na Sala Paulo VI. Sem nenhuma pressa, o Santo Padre saudou, abençoou e conversou tranquilamente com muitos deles. Visivelmente emocionados, os enfermos e seus familiares e acompanhantes abraçaram o papa Francisco e tiveram tempo para intercambiar palavras com ele.

Já na praça, o pontífice percorreu os corredores a bordo do papamóvel, parcialmente coberto devido à chuva. Francisco abençoou crianças, tomou mate e até desceu do jeep para falar com um grupo de crianças que estavam nas primeiras filas. O papa, brincando, chegou a colocar na cabeça o gorro vermelho de uma delas.

A catequese focou na alegria da ressurreição. Francisco convidou os fiéis presentes a repetirem três vezes em voz alta: "Por que buscais entre os mortos Aquele que está vivo?". Depois, pediu que todos refletissem ao longo do dia de hoje sobre esta pergunta.

No resumo da catequese, o Santo Padre declarou: "Queridos irmãos e irmãs, celebramos nestes dias, com alegria, o grande mistério da ressurreição de Cristo. É uma alegria autêntica, profunda, que se baseia na certeza de que Cristo ressuscitado não morre mais, mas vive e age na Igreja e no mundo. Não é fácil aceitar a presença do ressuscitado no meio de nós. A pergunta que o anjo fez às mulheres naquela manhã de Páscoa deve interpelar a nós também: ‘Por que buscais entre os mortos Aquele que está vivo?’. Buscamos entre os mortos Aquele que vive toda vez que nos encerramos no egoísmo e na autocomplacência; quando nos deixamos seduzir pelo poder e pelas coisas deste mundo, esquecendo-nos de Deus e do próximo; quando colocamos a nossa esperança em vaidades mundanas, no dinheiro ou no sucesso; toda vez que perdemos a esperança ou não temos forças para rezar; toda vez que nos sentimos sozinhos ou abandonados pelos amigos e até por Deus; toda vez que nos sentimos prisioneiros dos nossos pecados. A advertência do anjo vai nos ajudar a sair das nossas tristezas e a nos abrir para a alegria e para a esperança. A esperança que remove as pedras dos sepulcros e que nos impulsiona a anunciar que Jesus está vivo".

A seguir, o papa saudou "com afeto os peregrinos dos países latino-americanos. Que, neste tempo de Páscoa, abramos a nossa vida ao encontro com Cristo ressuscitado e vivo, o único que pode nos dar a verdadeira esperança".

Terminando a audiência, o Santo Padre também agradeceu pelas felicitações de Páscoa que recebeu nas semanas passadas e retribuiu: "Desejo agradecer de coração às crianças, aos jovens, aos idosos, às famílias, às comunidades paroquiais e religiosas, às associações e movimentos de diferentes grupos que me manifestaram afeto e proximidade. Peço a todos que continuem rezando por mim e pelo meu serviço à Igreja".

Francisco também recordou que no próximo domingo será beatificado, na região italiana do Piemonte, o servo de Deus Giuseppe Girotti, de quem o papa destacou "o heroico testemunho cristão e o martírio". Francisco fez votos de que o novo beato suscite em muitos corações o desejo de aderir cada vez mais a Jesus e ao Evangelho.