O Papa Francisco gostaria de visitar os pobres à noite

O esmoler pontifício, monsenhor Konrad Krajewski , nega que o Santo Padre o tenha acompanhado nas suas rondas entre os marginalizados de Roma mas admite: Há sempre o risco de que venha comigo"

Roma, (Zenit.org) Luca Marcolivio | 778 visitas

Muitos já tinham imaginado a cena: um homem vestido de branco que, na calada da noite, distribui esmola aos pobres nas ruas de Roma. É uma das tantas “lendas urbanas” sobre o Papa Francisco mas com um fundo de verdade.

Quem realmente executa esta atividade é monsenhor Konrad Krajewski, esmoler de sua Santidade, que admitiu: "Quando eu lhe contava que estava indo com eles, me perguntava se podia vir comigo".

Encontrando com um grupo de jornalistas, dom Corrado (por esse nome é familiarmente conhecido monsenhor Krajewski no Vaticano) tratou de forma alegre aqueles que lhe perguntavam se alguma vez o Papa o tinha efetivamente acompanhado nas suas saídas noturnas. “Por favor, vos peço, façam-me outra pergunta”, disse sorrindo o bispo polaco.

Sabe-se que, durante os anos de seu ministério episcopal em Buenos Aires, o Cardeal Jorge Mario Bergoglio, normalmente era encontrado entre as pessoas marginalizadas da capital argentina. Em Roma, porém, isso seria logisticamente muito inconveniente , tanto para o Papa, quanto para a Gendarmeria Vaticana. Ao Papa foi, então, desaconselhado uma presença noturna “on the road” por motivos de oportunidade e segurança.

"Nós rapidamente percebemos que poderia haver problemas de segurança. É uma coisa complicada. Mas ele é assim, não pensa nos problemas”, explicou o esmoler.

O próprio fato de que monsenhor Krajewski não tenha confirmado, nem negado, uma presença do Papa ao seu lado, durante as visitas noturnas aos pobres, fez pensar que algumas vezes o Santo Padre possa ter realmente ido.

Além disso, o prelado brincou: “Quando falo para o Papa, saio esta noite para a cidade, há sempre o risco de que venha comigo".

O que é certo é que o pontífice argentino tem particularmente no coração a atividade do seu esmoler ao qual disse um dia: “os teus braços serão uma extensão dos meus braços”. Cada pobre que encontre, “dom Corrado”, abrace, dando-lhe simbolicamente o abraço do Papa.

"Olhe - disse uma vez Francisco - estes são os meus braços, são limitados, se os estendemos aos de Corrado podemos tocar os pobres de toda a Itália”.

Desde o momento da sua nomeação, no passado mês de agosto, monsenhor Krajewski , que dá voltas por Roma a bordo de um Fiat Qubo, visitou 15 casas, dormitórios e famílias necessitadas.

Há pouco tempo foi à Lampedusa, onde levou 1600 cartões telefônicos aos sobreviventes depois do último naufrágio perto da ilha.

Seguindo o conselho do mesmo Papa Francisco, o esmoler pontifício renunciou a sua escrivaninha: “não combina contigo, você pode vendê-la”, disse o papa

“Dom Corrado” não espera que os pobres toquem na porta dos Muros Leoninos: é ele mesmo que sai por aí procurando-os, e também esta é uma indicação precisa de Bergoglio.

Sempre foi o papa a dizer-lhe: "Toda vez que alguém te chame de "excelência", peça a taxa para os pobres: 5 euros!”

Normalmente monsenhor Krajewski distribui aos pobres de 200 a 1000 euros por dia. A instituição de caridade que dirige, é definida por ele como o "Pronto Socorro do Papa”: só em 2002, este departamento pontifício distribuiu aos pobres um milhão (1.000.000) de euros.

Toda vez que Francisco encontra o seu esmoler, pergunta se precisa de dinheiro. Um vez lhe disse: “a conta está boa quando está vazia, significa que o dinheiro saiu para fazer o bem”.

(Tradução Thácio Siqueira)