O papa Francisco, na audiência, pede paz, diálogo sincero e perdão recíproco na Venezuela

Além do apelo pelo fim da violência, o Santo Padre explica na catequese o sacramento da unção dos enfermos

Roma, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 460 visitas

O Santo Padre acompanha com particular preocupação o que está acontecendo na Venezuela. Ele mesmo fez esta declaração na manhã de hoje, durante a audiência geral das quartas-feiras, e desejou “vivamente que acabem o quanto antes as violências e as hostilidades e que todo o povo venezuelano, começando pelos responsáveis políticos e institucionais, trabalhe para favorecer a reconciliação através do perdão recíproco e de um diálogo sincero, respeitoso da verdade e da justiça, capaz de abordar temas concretos pelo bem comum".

Francisco assegurou a sua “constante oração, em particular pelos que perderam a vida nos enfrentamentos e pelas suas famílias”, e convidou todos os crentes a “elevar suas súplicas a Deus, pela materna intercessão de Nossa Senhora de Coromoto, a fim de que o país encontre rapidamente a paz e a concórdia”.

Ao entrar na Praça de São Pedro, Francisco abençoou e beijou as crianças durante o percurso feito a bordo do papamóvel aberto, antes de começar a catequese. O percurso já é habitual, mas hoje houve uma peculiaridade: muitas das crianças estavam fantasiadas, devido à proximidade das festas de carnaval. Havia até um “pequeno papa”, um “pequeno guarda suíço” e um “pequeno dragão”: Francisco saudou todos eles. As previsões meteorológicas anunciavam chuva, mas os fiéis e peregrinos "valentes", como Francisco os chamou, encheram a praça visivelmente mais do que nas últimas semanas.

O papa continuou as catequeses sobre os sacramentos. Hoje ele refletiu sobre a unção dos enfermos. No resumo final, Francisco declarou:

“Na catequese de hoje, falei da unção dos enfermos, que é o sacramento da compaixão de Deus pelo sofrimento do homem. A parábola do bom samaritano manifesta o mistério que celebramos neste sacramento: Jesus se aproxima de quem sofre e o conforta com o óleo da consolação e com o vinho da esperança. Depois, Ele o leva até a pousada, que representa a Igreja, à qual Cristo confia o enfermo. Jesus ensinou os discípulos a terem a mesma predileção pelos enfermos e pelos necessitados e lhes confiou a tarefa de cuidar deles em seu nome por meio deste sacramento”.

“A unção dos enfermos nos ajuda a ampliar o nosso olhar diante da doença e a saber que não estamos sozinhos, que o sacerdote e a comunidade cristã apoiam o doente e aquele que sofre. Por isso, é importante chamar sempre o sacerdote quando há um doente; não é preciso que a doença seja grave, que ele esteja agonizando; chamem o sacerdote antes, para que o sacramento o fortaleça, para que nosso Senhor o ajude a suportar a enfermidade, para lhe dar alívio e reconfortá-lo. É uma consolação muito grande a presença de Cristo na enfermidade. Cristo pega a nossa mão e nos lembra que pertencemos a Ele e que nada pode nos separar dele".

A seguir, o papa saudou os peregrinos, em particular um grupo deles: “Saúdo de maneira especial o corpo de bombeiros que veio hoje até aqui. Obrigado. Convido todos a valorizar a paz e o ânimo que Cristo nos comunica no sacramento da unção dos enfermos, para enfrentarmos o sofrimento de maneira cristã. Muito obrigado".

Ao terminar as saudações e o resumo da catequese nos diversos idiomas, o Santo Padre dedicou um gesto de atenção que já se tornou tradicional a três grupos específicos: os jovens, os doentes e os recém-casados. Francisco recordou que amanhã celebraremos “a memória de São Gabriel da Mãe Dolorosa: que o seu exemplo os ajude, queridos jovens, a ser entusiastas discípulos de Jesus; encoraje vocês, queridos enfermos, a oferecer os seus sofrimentos em união aos de Cristo; e anime os queridos recém-casados a fazer do Evangelho a regra fundamental da vida conjugal”.