O papa Francisco receberá dirigentes judeus da Argentina nesta quinta-feira

Em pauta, o diálogo inter-religioso e o que for surgindo na conversa, como sempre fizemos com Bergoglio

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 401 visitas

O papa Francisco receberá pela primeira vez, nesta quinta-feira, 16 de janeiro, uma delegação de dirigentes judeus da Argentina. O presidente de Delegação de Associações Israelitas Argentinas (DAIA), Julio Schlosser, anunciou que o grupo conversará sobre diálogo inter-religioso, favorecimento da harmonia entre todos os grupos humanos “e o que for surgindo na conversa, como sempre fizemos com o cardeal Bergoglio, como pessoas que procuram a paz”.

Em declarações feitas à Agência Judaica de Notícias (AJN), Schlosser destacou a importância do “respeito pela diversidade, pelo trabalho conjunto, pelo pluralismo religioso em que cada um respeite e se integre com o outro para realizar um diálogo inter-religioso frutífero, que sirva aos interesses da comunidade judaica, que favoreça o desejado ambiente de paz em todas as confissões, em nosso país e no mundo”.

O encontro acontece depois que Santo Padre anunciou no domingo passado a sua viagem de três dias à Terra Santa. “Desejo anunciar que de 24 a 26 de maio próximo, se Deus quiser, farei uma peregrinação à Terra Santa", disse Francisco. As etapas serão três: Amã, Belém e Jerusalém. O patriarca latino de Jerusalém, Fouad Twal, já alertou: “Jordanianos, palestinos e israelenses vão tentar todos tirar o máximo proveito desta visita, cada um, também, para servir à sua própria propaganda”.

O rabino argentino Abraham Skorka, com quem Bergoglio escreveu o livro “Sobre o céu e a terra”, incentivou esta viagem desde que o pontífice foi eleito e declarou que “a visita do papa Francisco a Israel transmitirá uma mensagem de paz ao mundo”.

O dirigente da DAIA, reapresentação política da comunidade judaica argentina, acrescentou: “Estamos orgulhosos porque esta é a bandeira que sua Santidade também levanta, a do pluralismo, do diálogo inter-religioso e da paz”.

A AJN explica que, na delegação de 15 dirigentes judeus, estarão presentes, além do presidente da DAIA, Julio Schlosser, também “o vice-presidente Waldo Wolff; o reitor do Seminário Rabínico Latino-Americano Marshall T. Meyer, rabino Abraham Skorka; o diretor executivo do Congresso Judaico Latino-Americano (CJL), Claudio Epelman; o presidente da FACCMA, Javier Veinberg; o subsecretário de Direitos Humanos do governo da província de Buenos Aires e presidente do Museu do Holocausto, Claudio Avruj; e um grupo importante de rabinos e líderes comunitários que estão trabalhando na questão inter-religiosa”.

Schlosser completou que será "um diálogo frutífero e, de alguma forma, um trabalho em favor da nossa Argentina, a fim de que ela continue sendo um país digno para se viver”.

O diretor da CJL, Epelman, recordou à Agência Judaica de Notícias que o papa é o primeiro na história que, desde antes do pontificado, manteve um trabalho e um diálogo importante com a comunidade judaica. “Através de vários interlocutores, Bergoglio foi trabalhando em conjunto numa tarefa que, para ele, era indelegável, que ele assumia em primeira pessoa. A partir disso, houve uma construção de atividades, projetos, análises, com vários membros da comunidade, muitos dos quais vão ter a oportunidade de visitá-lo e dar novos passos no vínculo pessoal, que leva ao fortalecimento dos vínculos institucionais”.

Entre os gestos memoráveis de Bergoglio, ele e os representantes das diversas religiões presentes na Argentina plantaram uma oliveira na Praça de Maio, em Buenos Aires, no ano 2000, pedindo que “não haja mais caos, não haja mais guerra” e encorajando a paz.