O papa na missa crismal: a disponibilidade do sacerdote abre as portas da Igreja

Na homilia desta quinta-feira, Francisco fala da alegria do sacerdócio: ela unge, é incorruptível e é missionária

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 640 visitas

O Santo Padre chegou por volta das 9h30 desta manhã à Basílica de São Pedro para presidir a missa crismal, concelebrada por cardeais, bispos e padres diocesanos e religiosos presentes em Roma. O branco das albas sacerdotais resplandecia nas primeiras filas da basílica.

Durante a celebração, os sacerdotes renovaram as promessas feitas no momento da sagrada ordenação. Foram abençoados, em varias ânforas, o óleo dos enfermos, o óleo dos catecúmenos e o crisma.

A missa crismal é uma liturgia celebrada neste dia em todas as igrejas catedrais do mundo. Foi a segunda vez que Francisco a celebrou na Basílica Vaticana desde que foi eleito sucessor de Pedro.

Na homilia, o papa ressaltou a alegria de ser sacerdote. "A alegria do sacerdote é um bem precioso não só para ele, mas também para todo o povo fiel de Deus: esse povo fiel do meio do qual o sacerdote é chamado para ser ungido e para o qual é enviado para ungir".

Francisco recordou que "o sacerdote é o mais pobre dos homens se Jesus não o enriquece com a sua pobreza; o mais inútil dos servos se Jesus não o chama de amigo; o mais néscio dos homens se Jesus não o instrui pacientemente como fez com Pedro; o mais indefeso dos cristãos se o Bom Pastor não o fortalece em meio ao rebanho".

O Santo Padre indicou três traços significativos da alegria sacerdotal. A alegria que unge: "ela penetrou no íntimo do nosso coração, o configurou e o fortaleceu sacramentalmente"; a alegria incorruptível: "a integridade do Dom, ao qual ninguém pode subtrair nem agregar nada, é fonte incessante de alegria"; e a alegria missionária: "a unção é para ungir o santo povo fiel de Deus: para batizar e confirmar, para curar e consagrar, para abençoar, para consolar e evangelizar".

O papa disse ainda que, mesmo nos momentos de tristeza, "em que tudo parece escurecer e a vertigem do isolamento nos seduz, nesses momentos apáticos e cabisbaixos que às vezes nos assaltam na vida sacerdotal", e pelos quais “eu também passei”, disse Francisco, mesmo nesses momentos "o povo de Deus é capaz de conservar a alegria, é capaz de proteger você, de abraçar você, de ajudar você a abrir o coração e a reencontrar uma renovada alegria".

Por outro lado, o pontífice recordou que a alegria é guardada pelo rebanho e por três “irmãs” que a acompanham e defendem: a irmã pobreza, a irmã fidelidade e a irmã obediência.

"Muitos, ao falar de crise de identidade sacerdotal, não percebem que a identidade pressupõe a pertença. Não há identidade, nem alegria de ser, sem a pertença ativa e comprometida ao povo fiel de Deus". Do mesmo modo, destacou o papa, "se você não sair de si mesmo, o óleo se torna azedo e a unção não pode ser fecunda. Sair de si mesmo implica despojamento de si, implica pobreza".

Francisco falou então da irmã fidelidade: "Os filhos espirituais que nosso Senhor dá para cada sacerdote" são como a “Esposa” predileta e única amada, a quem ele é renovadamente fiel.

Da obediência a Deus e à Igreja, o papa falou matizando que "a disponibilidade do sacerdote faz da Igreja uma casa de portas abertas, refúgio de pecadores, lar para quem vive na rua, casa de bondade para os enfermos, acampamento para os jovens, sala de aula para a catequese dos pequenos da primeira comunhão...".

Ao terminar a homilia, mais longa que o habitual, Francisco pediu para que o Senhor Jesus "faça muitos jovens descobrirem o ardor do coração"; "que Ele cuide do brilho alegre nos olhos dos recém-ordenados, que querem abraçar o mundo todo"; "que Ele confirme a alegria sacerdotal dos que já têm vários anos de ministério" e "que resplandeça a alegria dos sacerdotes idosos, estejam sãos ou doentes".

Ao encerrar a eucaristia, o Santo Padre foi rezar diante da imagem de Maria.

Com esta solene eucaristia na Basílica de São Pedro, acompanhada pelas vozes do coro da Capela Sistina e com a multidão de fiéis que foram participar, começou no Vaticano o Tríduo Pascal.