O papa pede paciência e valentia para se conseguir a paz na Venezuela

Diálogos entre governo e oposição começam com a leitura de uma mensagem de Francisco

Madri, (Zenit.org) Ivan de Vargas | 465 visitas

O papa Francisco enviou uma carta ao povo da Venezuela e aos dirigentes que participam desde ontem da primeira jornada de diálogo entre o governo e a oposição. O papa os convida a "não permanecer na conjuntura conflitiva, mas a ser autênticos construtores de paz", e destaca que, no caminho "novo, longo e difícil" rumo à paz, é preciso ter "paciência e valentia".

"Sou consciente da inquietação e da dor vivida por tantas pessoas", declara o Santo Padre na carta lida pelo núncio apostólico, dom Aldo Giordano, o primeiro a tomar a palavra na mesa de negociações em Miraflores, pouco depois das 8 da noite. O pontífice, que manifesta o seu afeto por todos os venezuelanos e pelas vítimas da violência, afirma também que está "plenamente convencido de que a violência nunca trará paz e bem-estar a um país, já que ela gera sempre e somente violência (...) Pelo diálogo, vocês podem descobrir a base comum que leva a superar o momento atual de conflito e de polarização, que fere tão profundamente a Venezuela, para encontrar formas de colaboração no respeito e no reconhecimento das diferenças que existem entre as partes, favorecendo o bem comum".

"Todos vocês compartilham o amor pelo seu país e pelo seu povo, assim como as graves preocupações ligadas à crise econômica, à violência e à criminalidade. Todos vocês carregam no coração o futuro dos seus filhos e o desejo de paz que caracteriza os venezuelanos", diz o Santo Padre, pedindo respeito e convivência para favorecer "o diálogo que urge".

Por último, Francisco observa que "no centro de um diálogo sincero está o reconhecimento e o respeito pelo outro e, acima de tudo, o heroísmo do perdão e da misericórdia, que resgatam do ressentimento e do ódio".

Ao terminar de ler a missiva papal, dom Giordano apresentou uma mensagem do secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolín, que se oferece para ser uma "testemunha de boa fé" no processo de diálogo.

"Lamentavelmente, não me é possível estar presente, mas afirmo a minha disponibilidade de participar, pessoalmente, em qualquer outro momento", afirma o cardeal Parolín ao recordar que viveu quatro anos na Venezuela. "Meu coração está com vocês", declara.

O governo da Venezuela tinha convidado o secretário de Estado do Vaticano a se juntar à Conferência Nacional de Paz para resolver a crise política que assola ao país há dois meses. A missão foi confiada ao núncio apostólico.