O papa visitará a favela de Manguinhos na sua viagem ao Brasil

Em uma paróquia abençoará o novo altar e andará livremente pelas ruas

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 567 visitas

A programação do Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude Rio 2013 inclui uma visita à paróquia de Varginha, localizada na favela de Manguinhos, um dos lugares mais pobres do Rio de Janeiro. Lá, o Santo Padre deverá dirigir uma oração na paróquia de São Jerônimo de Emiliani onde abençoará o novo altar.

Também conversará com líderes da comunidade e com os moradores, caminhará por uma rua de Varginha até um campo de futebo onde terá um palco para que dirija umas palavras à comunidade. Não terá cercas especiais ou barreiras e se o papa quiser até mesmo poderá entrar em algum das casas.

A visita está prevista para o dia 25 de Julho pela manhã e o detalhe da programação foi publicado neste sábado 18, pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, que presidiu uma missa nessa igreja.

"Enquanto a rua José Carlos Chagas, por onde o Santo Padre vai passar se transforma num ‘tapete vermelho’, com novo asfalto e bueiros, as favelas ao lado esperam uma graça do poder público”, escreve um jornal local com o título “Milagre do Papa em Manguinhos”.

A encarregada da imprensa internacional Inés San Martín, disse a ZENIT que “a rua pela qual o papa caminhará ainda não foi confirmada, não fizemos nenhum comunicado sobre, mas sim é certo que em Manguinhos já começaram alguns trabalhos onde se supõe que o santo padre deva passar".

Acrescentou que durante a sua estada no Rio o Papa inaugurará além do mais uma ala do Hospital São Francisco, no bairro da Tijuca, para o tratamento de viciados em drogas.

"É uma alegria e uma responsabilidade mostrar o quanto a Igreja continua viva e trabalhando silenciosa nas comunidades para que possamos cumprir com a missão que o Senhor nos confiou”, disseo pároco local, Marcio Queiroz em declarações publicadas no site da JMJ.

Disse que a comunidade mostrará a realidade ao Papa Francisco: “Não tem sentido fazermos um tipo de maquiagem. A simplicidade que estão vendo é a que vamos mostrar-lhe. Este é o rosto dessa paróquia”.

O Arcebispo do Rio considerou que o mais importante será o legado social que ficará para a população. O processo de eleição da comunidade foi complexo, explicou dom Orani, e que para isso a pastoral das favelas da Arquidiocese apresentou uma lista com mais de 750 paróquias. Em seguida o Comitê Organizador Local, o governo do Rio e o Vaticano procuraram um lugar já pacificado, que ainda não tivesse sido visitado por João Paulo II.

"Seria muito bom que o papa pudesse passar em todas as favelas. Aquilo que faz acorda as pessoas para que queiram melhorar sua vida”, acrescentou.

As favelas pacificadas são aquelas nas quais foi removido o tráfico de drogas, com uma intervenção pesada do exército brasileiro e da polícia, em que nem mesmo os tanques faltaram. Hoje as ‘unidades de pacificação’ da polícia patrulham 13 favelas, algumas das quais eram impenetráveis, e são parte de um plano de segurança nacional.

A capela de São Jerônimo Emiliani nasceu de um desejo dos padres somascos de evangelizar uma comunidade carente, do ponto de vista social e espiritual. Os sacerdotes da ordem de São Jerônimo Emiliani chegaram da Itália em missão para edificar uma casa da ordem.

Passando pela favela de Varginha encontraram que existia desejo de Deus nos seus moradores. Eles participavam das missas em outra comunidade, São Daniel, também localizada em Manguinhos. Foi então que os padres Somascos, construiram a igreja que foi inaugurada em 1971, com a presença do então arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Eugênio Salles.

Em 1972, Madre Teresa de Calcutá, durante sua visita ao Brasil, caminhou pelas ruas da comunidade e visitou algumas casas. A partir de então, a comunidade abriu um espaço para que as irmãs da caridade realizassem suas obras, como a catequese de crianças e visitas às famílias.