O papel das comunidades agrícolas na luta contra a fome

Dia Mundial da Alimentação: mensagem de Bento XVI ao diretor da FAO

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ROMA, quarta-feira, 17 de outubro de 2012 (ZENIT.org) - O mundo celebrou ontem, 16, o Dia Mundial da Alimentação, um direito humano fundamental que, porém, não é garantido para cerca de 850 milhões de pessoas. Este direito exige que todos, homens, mulheres, crianças, indivíduos e comunidades inteiras, em todo momento, tenham acesso físico e econômico a uma alimentação adequada ou aos meios para a sua compra. Por este motivo, Bento XVI enviou uma mensagem a José Graziano da Silva, diretor do Fundo das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), destacando o importante papel que as cooperativas agrícolas desempenham na luta contra a desnutrição.

O último relatório publicado pela FAO sobre “O Estado da Insegurança Alimentar no Mundo -2012”revela uma importante diminuição de mais de 130 milhões no número de pessoas com desnutrição no planeta. Apesar desta queda, ainda existem cerca de 850 milhões de seres humanos que sofrem de fome, um número muito distante dos Objetivos do Milênio.

Na mensagem ao diretor geral da FAO, o papa escreve que o Dia Mundial da Alimentação acontece neste ano dentro de um contexto em que os efeitos da crise econômica atingem cada vez mais as necessidades primárias, incluindo o direito fundamental de toda pessoa a uma nutrição suficiente e sadia, agravando especialmente a situação de quem vive em condições de pobreza e subdesenvolvimento.

“O contexto é semelhante ao que inspirou a criação da FAO”, observa o papa, e isto convoca “as instituições nacionais e internacionais ao compromisso de libertar a humanidade da fome, mediante o desenvolvimento agrícola e o crescimento das comunidades rurais”. Daí a satisfação manifestada pelo pontífice com a decisão de que este dia seja dedicado à reflexão sobre o assunto, aludindo às cooperativas agrícolas.

“Não se trata apenas de dar apoio às cooperativas como expressão de uma forma diferente de organização econômica e social, mas de considerá-las como um verdadeiro instrumento de ação internacional. A experiência adquirida em muitos países mostra, de fato, que as cooperativas, além de impulsionar o trabalho agrícola, são uma forma que permite aos agricultores e à população rural intervir nas decisões, bem como um instrumento eficaz para conseguir o desenvolvimento integral de que a pessoa é fundamento e fim”.

“A Igreja Católica, como se sabe, também considera o trabalho e a empresa cooperativa como uma forma de se viver uma experiência de unidade e de solidariedade, que pode levar à superação das diferenças e até dos conflitos sociais, entre as pessoas e entre os grupos. Por isso, com o seu ensinamento e com a sua ação, ela sempre apoiou o modelo das cooperativas, já que tem certeza de que a sua atividade não se limita puramente à dimensão econômica, mas contribui para o crescimento humano, social, cultural e moral de todos os que fazem parte delas e da comunidade à qual pertencem”.

Bento XVI recorda a necessidade de se levar sempre em consideração especial “o papel insubstituível da mulher, que é chamada, com frequência, a dirigir as atividades das cooperativas, a manter os laços familiares e a preservar os inapreciáveis conhecimentos e habilidades próprias do mundo rural”.

“É indispensável que os poderes públicos que operam em nível nacional e internacional garantam os instrumentos legislativos e financeiros necessários para que, nas zonas rurais, as cooperativas sejam ferramentas eficazes para a produção agrícola, para a segurança alimentar, para a mudança social e para uma ampla melhora nas condições de vida. Neste novo contexto, é desejável que as novas gerações olhem para o seu futuro com renovada confiança, mantendo os laços com o trabalho do campo, com o mundo rural e com os seus valores tradicionais”.

 (Trad.ZENIT)