"O pluralismo é uma riqueza, não uma ameaça"

O Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e o Royal Institute for Inter-Faith Studies condenam todo tipo de violência e observam que família e escola são fundamentais para a educação de crianças e jovens

Roma, (Zenit.org) Redacao | 313 visitas

O Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso, com a presença do cardeal Jean-Louis Tauran, e o Royal Institute for Inter-Faith Studies, de Amã, com o príncipe da Jordânia Hassan bin Talal, emitiram um comunicado com as conclusões do seu Terceiro Colóquio, realizado na capital jordaniana nos dias 13 e 14 de maio de 2014. O tema discutido girou em torno dos "Desafios Atuais através da Educação", às vésperas da visita do papa Francisco à Terra Santa.

De acordo com o comunicado facilitado pelo Vaticano, os participantes condenaram energicamente todas as formas de violência, com destaque para o recente sequestro das 200 alunas da Nigéria, de quem pediram a libertação imediata a fim de que elas voltem para junto das suas famílias e para a sua escola. O evento advogou ainda pela solução pacífica de todos os conflitos em andamento no mundo.

Os participantes do encontro se mostraram de acordo em diversos temas, reafirmando, primeiramente, que "as instituições fundamentais para a educação de crianças e jovens são a família e a escola", além de ressaltarem a "importância da educação religiosa adequada, em particular para a transmissão dos valores religiosos e morais".

Também foi enfatizada "a necessária consideração da dignidade da pessoa humana, especialmente nas instituições educativas". Destacou-se a "inobservância das disposições internacionais destinadas a garantir o respeito efetivo dos direitos humanos fundamentais, em particular o da liberdade religiosa".

Por outro lado, reconheceu-se que "os desafios mais urgentes incluem a resolução pacífica dos conflitos atuais, a erradicação da pobreza e a promoção da dimensão espiritual e moral da vida", bem como "a convicção de que a religião não é a causa dos conflitos, que se devem, antes, à desumanidade e à ignorância; a educação integral, em consequência, é essencial". Finalmente, observou-se que "as religiões, entendida corretamente a sua prática, não são causas da divisão e dos conflitos, mas fator necessário para a reconciliação e para a paz".

Por último, o comunicado convida: "Como o futuro da humanidade está nas mãos das gerações jovens, propõe-se o seguinte decálogo cultural para todos os envolvidos na educação":

- Nunca renunciar à curiosidade intelectual.

- Ter coragem intelectual em vez de covardia intelectual.

- Ser humilde e não intelectualmente arrogante.

- Praticar a empatia intelectual em vez de uma mentalidade fechada.

- Levar em conta a integridade intelectual.

- Manter a autonomia intelectual.

- Perseverar diante da superficialidade circundante.

- Confiar na razão.

- Ser imparcial e não intelectualmente injusto.

- Considerar o pluralismo como uma riqueza, não como uma ameaça.