'' O que fizeram contigo, querido amigo!''

Cardeal Bergoglio no olhar do bispo auxiliar de Buenos Aires Eduardo Horacio García

Roma, (Zenit.org) Antonio Gaspari | 1641 visitas

"Era um desejo, mas não achava que Bergoglio seria eleito pontífice. Pensava: João Paulo II foi papa por 26 anos, Bento XVI foi eleito quando tinha 78 anos, agora elegerão um papa com uma idade média entre os dois".

"Quando vi Jorge Mario Bergoglio saindo pelo Balcão central da basílica de São Pedro pensei que estava sonhando. Falei para mim mesmo: dormi e vejo coisas irreais”. Depois caiu a ficha de que era verdade e então as lágrimas começaram a cair, e pensei: O que fizeram contigo, querido amigo!”

"Não passaram dez minutos quando os jornalistas estavam na porta porque queriam saber. Sequei minhas lágrimas e fui comemorar no meio das pessoas".

Assim, Monsenhor Eduardo Horacio Garcia disse aos jornalistas presentes na XXXVI Assembléia Nacional dos grupos e comunidades da Renovação Carismática Católica reunidos em Rimini, contando como foram os seus primeiros momentos da eleição do Papa Francisco.

Monsenhor Garcia é bispo auxiliar e provigário geral da Arquidiocese de Buenos Aires, conhece Bergoglio há 20 anos, e nos últimos dez anos trabalharam lado a lado.

Antes de partir para Roma, Bergoglio pediu para ele procurar uma residência de sacerdotes anciãos, já que tinha completado a sua tarefa como arcebispo de Buenos Aires.

Entrevistado por ZENIT mons. Garcia explicou que também na Argentina dá para ver os frutos da eleição do Papa Francisco, com um número impressionante de pessoas que enchem as igrejas, pessoas que, depois de muitos anos, se aproximam da confissão, vão confessar-se, mas as pessoas não estão tão impressionadas como na Europa pelo estilo de vida do Papa Francisco, porque é exatamente a maneira de comportar-se do arcebispo de Buenos Aires.

Na capital Argentina é bastante comum encontrar bispos, sacerdotes, religiosos, andando de ônibus ou metrô, fazendo compras nos supermercados.

A maior qualidade do Papa Francisco é a humildade, com tantos anos como arcebispo de Buenos Aires nunca celebrou uma quinta-feira santa na diocese. Sempre foi lavar os pés, abençoar, confessar nos hospitais, prisões, asilos, hospícios.

"O papa Francisco é um homem e não um faraó – explicou monsenhor García – um homem de Deus, um homem simples que conhece a realidade da vida, que viveu e compartilhou a humanidade das pessoas, um papa que cumprimenta, bom dia, boa noite, que deseja um bom apetite, não só porque é educado, mas porque é um missionário que pratica o seu ministério de estar próximo das pessoas".

"Em Roma, todos estão impressionados com o seu modo de atuar, mas Bergoglio não mudará o seu modo de fazer, ele testemunha a boa nova, o papa não é um faraó que vive na pirâmide, é um homem fiel ao seu modo de viver. Ele é assim. E continuará a comportar-se como ele é”.

Com relação a como governará a Igreja universal, monsenhor Garcia disse que "esperemos e veremos”. No que diz respeito ao governo da diocese de Buenos Aires, monsenhor García disse que tudo começou em 2004, quando, depois de ter desenvolvido a missão pós-jubileu, todos se perguntavam: e agora, o que faremos?"

Alguns sugeriram fazer um Sínodo, um congresso nacional. Bergoglio porém propôs um caminho escutando ao povo. E lançou uma missão permanente que continuará levando os sacerdotes às ruas, fora das igrejas. Convidou para sair e  entrar em contato com as pessoas. Dizia que “para fazer da cidade um grande santuário, é preciso estar nas ruas”. Procurar os últimos, cuidar dos que sofrem, acompanhar os pobres e os fracos, aproximar-se para confessar os pecadores, converter os corações. Esta é a sua ideia de Igreja.

Assim como propôs em 2007 no encontro do Episcopado Latino-americano (CELAM) realizado em Aparecida. Nessa ocasião, o Cardeal Bergoglio foi o relator-geral propôs exatamente o que ele estava fazendo na Arquidiocese de Buenos Aires.

Em relação a como o papa Francisco reformará a Cúria Romana, monsenhor García, disse que não sabia, e também lembrou ter lido um artigo de 1931 no qual já se pedia uma reforma radical da Cúria.

Ter sido eleito papa, mudou o cardeal Bergoglio? A esta pergunta, monsenhor García disse que a única mudança evidente é que quando estava em Buenos Aires não ria muito, de fato, mantia uma atitude séria e determinada, especialmente com seus colaboradores, mas agora, desde que se tornou papa sua felicidade é mais evidente em mais ocasiões, sua alegria e gozo