O Rei Jesus Cristo

Coluna de orientação catequética aos cuidados de Rachel Lemos Abdalla

Campinas, (Zenit.org) Rachel Lemos Abdalla | 641 visitas

Estamos às vésperas da Comemoração da festa de Cristo Rei, cujo Evangelho, neste dia, apresenta Jesus Crucificado.

Seria uma contradição?

No interrogatório de Pilatos surge um ponto de efervescência: a declaração de Jesus. Ele diz: “Tu o dizes: sou Rei. Para isso nasci e para isso vim ao mundo: para dar testemunho da verdade” (Mt 18,37) E, anteriormente, Ele havia dito: “Meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse desse mundo, meus súditos teriam combatido, para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas meu reino não é daqui” (18,36). Com essa confissão de Jesus, Pilatos é colocado numa situação confusa, pois o réu reivindica a realeza e o reino. Porém é uma realeza na qual não é possível condenar aquele que tem um poder que não ameaça, que não é violento e que não tem soldados. O Seu reino e a Sua realeza apenas trazem o testemunho da Verdade![1]

Mas, Sua Palavra ou silêncio, e Seus atos não tiveram crédito, e Jesus foi considerado um criminoso, pois somente eles eram condenados à crucifixão. Seus seguidores, entretanto, O haviam aclamado Rei.

Jesus teve como trono improvisado a sua Cruz, e para que sua realeza fosse comprovada, era preciso que houvesse testemunhas, e nem isso lhe faltou! Ele esteve no alto da sua majestade ao lado de duas testemunhas, dois reles ladrões. Mas, a contradição entre o Rei Jesus Cristo e o Crucificado Cristo Jesus existe apenas para quem não compreende os Seus ensinamentos, pois durante toda a Sua vida, Ele ensinou que Seu Reino não é desse mundo.

Somente com os olhos da fé é possível perceber que na morte de Cruz, considerada a mais humilhante punição, se inicia um reinado de reconciliação da criação com o Criador.

No Evangelho da festa de Cristo Rei estão presentes alguns personagens: o povo que, assim como hoje, é impotente diante das injustiças e sofrimentos do seu próximo, e que também acompanhava o sofrimento de Jesus na Cruz sem nada poder fazer; os poderosos e um dos ladrões, que não compreenderam a missão de Jesus, e não percebiam que era morrendo na Cruz que Ele salvaria a todos; e, segundo a tradição, ‘Dimas’, o ‘bom ladrão’ que, com sua prece: “Jesus, lembra-te de mim quando entrares em teu Reino”,[2] reconhece Jesus como sendo o Rei, e arrependendo-se de seus erros, se reconcilia com o Pai.

Este Evangelho é um convite incessante para que as pessoas se comprometam com as propostas de Jesus, acreditando que, para entrar no Reino de Deus ou construí-lo aqui na Terra, é preciso que a Verdade seja revelada e esteja presente no meio dos homens. E que, entram no Reino todos aqueles considerados malditos e que são crucificados juntamente com Jesus.

Que o tempo do Advento que se inicia seja o tempo de preparação para receber a Verdade que transforma a vida e abre as portas para a vida eterna.

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[1] Conf. ‘Jesus de Nazaré – Da entrada em Jerusalém até a Ressurreição’ – Joseph Ratzinger – Bento XVI – Editora Planeta – 2011. Pag. 174

[2] Lucas 23,42