O Senhor sempre nos dá o que pedimos, mas ao modo divino

Homilia do Papa Francisco na casa Santa Marta

Brasília, (Zenit.org) Thácio Siqueira | 708 visitas

“O Senhor nos dá a graça, mas ao seu modo divino”, disse o Santo Padre na homilia desta manhã na Casa Santa Marta, na qual estavam presentes funcionários do Governatorado Vaticano.

Lembrando um momento particular da sua vida, o Papa disse que certa vez passava por uma escuridão interior e precisava de uma Graça especial de Deus. Foi pregar exercícios espirituais a umas irmãs e, no último dia, veio uma irmã de 80 anos se confessar, “mas com os olhos claros, luminosos”. Depois da confissão deu-lhe como penitência pedir a Deus a graça que ele estava precisando, porque “se você pedir a Deus, com certeza Ele te dará”, disse à irmã. Ela, depois de um momento de silêncio, falou assim: “Com certeza que Deus te dará a Graça, mas não se engane, te dará essa Graça ao modo divino”.

“Isso me fez tanto bem. Escutar que o Senhor sempre nos dá o que lhe pedimos, mas ao modo divino. E o modo divino é esse até o final. O modo divino envolve a cruz, não por masoquismo: não, não! Por amor. Por amor até o final!”

A liturgia de hoje narra aquela cena de Jesus subindo a Jerusalém com os discípulos e anunciando-lhes a sua paixão, morte e ressurreição. E nesse caminho de fé, os discípulos quiseram ficar na metade do caminho discutindo entre si “como arrumar a Igreja, como arrumar a salvação”. João e Thiago até chegaram a pedir para sentar-se à direita e outro à esquerda, gerando mais discussão sobre quem era mais importante na Igreja. “A tentação dos discípulos – diz o Papa – é a mesma de Jesus no deserto quando o demônio lhe propôs outro caminho”. A tentação de fazer tudo rápido, milagres, até mesmo de ser “um paraquedista sem paraquedas”. É a tentação de Pedro, quando num determinado momento não aceita a paixão de Jesus.

“É a tentação de um cristianismo sem cruz. Um cristianismo à metade do caminho”, que “é a tentação do triunfalismo. Nós queremos o triunfo agora, sem ir à cruz, um triunfo mundano, um triunfo racional”.

“O triunfalismo na Igreja paralisa a Igreja. O triunfalismo nos cristãos paralisa os cristãos. É uma Igreja triunfalista, é uma Igreja à metade do caminho, uma Igreja que é feliz assim, bem organizada – bem organizada! – com todos os escritórios, tudo no lugar, tudo bonito, né? Eficiente. Mas uma Igreja que renega os mártires, porque não sabe que os mártires são necessários para a Igreja pelo caminho de cruz. Uma Igreja que somente pensa nos triunfos, nos sucessos, que não sabe aquela regra de Jesus: a norma do triunfo por meio da derrota, da derrota humana, da derrota da cruz. E essa é uma tentação que todos nós temos”.

Ao término da homilia o Papa fez essa oração:

“Peçamos ao Senhor a graça de não ser uma Igreja à metade do caminho, uma Igreja triunfalista, dos grandes sucessos, mas de ser uma Igreja humilde, que caminha com decisão, como Jesus. Avante, avante, avante. Coração aberto à vontade do Pai, como Jesus. Peçamos essa graça”.