O tempo que vivemos agora é da igreja proativa: Da Jornada Mundial da Juventude ao Cardinalato

ZENIT entrevista o recém-nomeado Cardeal Orani João Tempesta

Fortaleza, (Zenit.org) Maria Emilia Marega Pacheco | 438 visitas

Orani João Tempesta nasceu no dia 23 de junho de 1950, na cidade São José do Rio Pardo, interior do estado de São Paulo, filho de Achille Tempesta e de Maria Bárbara de Oliveira.

Religioso da Ordem Cisterciense, cursou Filosofia no Mosteiro de São Bento, em São Paulo (SP) e Teologia no Instituto de Teologia Pio XI, em São Paulo (SP). Foi ordenado presbítero na sua cidade natal, em 7 de dezembro de 1974, na Paróquia São Roque, onde foi vigário e pároco.

Ordenado bispo no dia 25 de março de 1997, Dom Orani é para o seu rebanho a imagem do ‘pastor com cheiro de ovelha’, “que esvazia-se de si mesmo e doa toda a sua vida no ministério que exerce”, lê-se em artigo da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Na manhã de 12 de janeiro a Igreja no Brasil recebeu com muita alegria a notícia da nomeação do cardinalato do Arcebispo metropolitano do Rio de Janeiro.

Zenit entrevistou o recém-nomeado Cardeal Orani que, como sempre, respondeu prontamente e sem se esquivar às perguntas propostas. 

ZENIT: A Jornada Mundial da Juventude Rio 2013 despertou ainda mais a atenção para a Igreja no Brasil. O que as pessoas esperam dos católicos brasileiros?

D. Orani: A JMJ Rio2013 deu grande visibilidade para os católicos. Esperamos que continue o espírito do acolhimento, de boa participação, de crescimento na fé. Todos nós esperamos um mundo melhor, construído por todos os setores da sociedade. A JMJ deixou esse legado de convivência fraterna, solidariedade, alegria, paz e união, segundo os valores do Evangelho. Os católicos devem dar este exemplo como discípulos missionários de Cristo.

ZENIT: O Pontificado do Papa Francisco chama a atenção para a dimensão da pobreza. Como explicar a dimensão do social, especialmente para a América Latina tão ferida pela Teologia da Libertação?

D. Orani: O Papa tem falado que todo trabalho social vem do amor a Deus e ao próximo. O trabalho social é uma consequência deste amor ao próximo. Uma verdadeira teologia da libertação faz ver as injustiças, mas vai em missão na promoção social, levando-nos a concretizar essa dimensão social.

ZENIT: Em diversos países percebe-se um novo despertar da Igreja Católica. Como o senhor vê este tempo da Igreja?

D. Orani: É tempo de missão, de conversão, de nova vida e cruz. Ir anunciar o Evangelho, fazer discípulos, construir novo mundo e, se preciso, morrer com e por Cristo. O tempo que vivemos agora é da igreja proativa, que sai a frente, chamando atenção para corrigir as coisas, pautar a sociedade. Os desafios do mundo desigual. É para isso que o Papa desperta as pessoas.

ZENIT: O Ano da fé chegou ao fim. E agora?

D. Orani: O Ano da Fé foi uma oportunidade que o Papa Bento XVI colocou para aprofundar a fé e chamar as pessoas q ter esta experiência intensamente. Despertou muitas iniciativas, aprofundamentos, conhecimento, vivência. Desejamos vivamente que o Ano da Fé não tenha sido ocasião para a simples passagem de uma reflexão a outra, ou de um ano temático ao outro. Desejamos que as sementes plantadas no Ano da Fé possam, sim, dar frutos, regadas pela água viva da caridade, a fim de que, de virtude em virtude possamos crescer sempre mais, até atingirmos o estado de “homens perfeitos”, homens e mulheres à estatura da maturidade de Cristo.

ZENIT: O Papa Francisco convocou a 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos cujo tem é: "Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização. É possível nomear o maior desafio da pastoral da família?

D. Orani: O desafio é nesta sociedade de mudança fortalecer os laços familiares, ajudar as famílias a ser formadora de pessoas que construam a sociedade. Queremos famílias enraizadas nos valores evangélicos, que geram filhos no amor, que se amam mutuamente e transbordam este amor para toda a sociedade.

ZENIT: Quais mudanças podemos esperar do Cardeal Orani João Tempesta?

D.Orani: Temos muito trabalho no Rio. Estou à disposição para todos pedidos do Papa Francisco. O trabalho na arquidiocese do Rio continua o mesmo, mas vou atender as demandas do Papa sempre que ele quiser para as reuniões no Vaticano.