O vento, o fogo, as línguas

Pentecostes e os sinais do Espírito Santo

Roma, (Zenit.org) Osvaldo Rinaldi | 619 visitas

O Espírito Santo desce poderoso do céu sobre os discípulos reunidos no cenáculo, chega ao final de um dia solene em que já não se esperava mais nada, desce para dar inicio a um novo e único tempo, o tempo da Igreja que durará até a parusia, o retorno glorioso de Jesus Cristo até o fim dos tempos.

O Espírito Santo há sua origem celeste, é pré-anunciado por um rombo, um sinal ruidoso para indicar com certeza sua proveniência. “De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados”(Atos 2,2). Exatamente porque o Espírito Santo vem do alto, de Deus, tem a capacidade de encher até a borda nossas vidas, nossos corações.

Para receber o dom do Espírito Santo é necessário permanecer fiel à exortação de viver a oração na procura incessante de receber o mesmo Espírito de Deus, para produzir frutos de compaixão amorosa, mansidão, humildade, paciência, alegria, paz.

E todos esses frutos não podem ser mantidos para si, devem ser comunicados, devem ser compartilhados com os outros. Por esta razão “apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles”(Atos 2, 3). O Espírito Santo desce como língua porque quer falar ao coração do homem pelo homem.

O Espírito Santo se manifesta como uma língua de fogo porque quer acender na alma dos discípulos, o ardor, o desejo de comunicar ao mundo o calor do amor de Deus que se encarnou, que morreu e ressuscitou para a nossa salvação.

O Espírito Santo aparece como muitas línguas porque quer proclamar a Palavra de Deus, os acontecimentos da salvação, para que a pessoa de Jesus Cristo se torne compreensível para os povos de todas as nações, raças, tribos, etnias: “ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.”(Atos 2,4).

O Espírito Santo com a sua descida produz comunhão, suscita partilha. Os discípulos fechados no cenáculo por medo dos judeus, se encontram, num determinado momento, fora da sala no andar de cima, com uma coragem que não tinham antes. O Espírito Santo afasta seus medos, rompe a solidão interior, impulsiona-os a compartilhar o anúncio do Evangelho.

Hoje se cumpre a promessa feita por Jesus em seu discurso de despedida, quando estava no cenáculo: “ e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós. (Jo 14,16-17).

Os discípulos não estão mais sozinhos, receberam a companhia de outro Consolador, o Espírito Santo, para viver sempre em comunhão com Ele. O Espírito Santo é apresentado por Jesus como o Espírito da verdade, para tornar o homem verdadeiramente livre.

Quanto precisamos da verdade que nos liberta dos medos, das angústias que derivam da nossa pouca fé.

O Espírito da verdade é a arma eficaz para superar esses medos. Mas o Espírito Santo é um dom que deve ser invocado, desejado e aceito. E é por isso que o mundo não pode receber, porque não é capaz de pedir, por que não quer invocá-lo, porque não tem espaço para acolhê-lo. O coração do homem do mundo está cheio de outras coisas, está cheio de soberba, orgulho, presunção.

O mundo tem a presunção de ser auto-suficiente, tem a ilusão de ser capaz de fazer sem Deus. Tudo isso acontece porque o homem não vê o Espírito Santo, não é capaz de reconhecê-lo.

Mas para os apóstolos não é assim, porque terão o grande privilégio de poder ouvi-lo, no silêncio de suas almas, terão a possibilidade de serem instruídos pela sabedoria que vem de Deus.

Sim, o Espírito Santo enquanto Deus tem a missão de recordar e ensinar tudo o que viu e ouviu do Filho de Deus. A primeira tarefa do Espírito Santo é ensinar uma mensagem que precisa ser sempre aprofundada, embora seja a mesma há dois mil anos. A Palavra de Deus é sempre a mesma, mas o homem está em constante transformação. O que ontem era incompreensível o espírito de verdade quer fazer-nos compreender para tornar a nossa existência mais alegre e menos ansiosa.

O ensinamento realizado pelo Espírito não é uma lição de escola ensinada por um professor sentado atrás de sua mesa. O Espírito Santo fala na intimidade do coração, inspirando o que pensar, dizer, fazer. A obra incomparável do Espírito Santo é consolar com sua presença discreta, é romper a solidão do homem com Deus, é recordar à alma humana as palavras de vida eterna pronunciadas por Jesus.

Como precisamos recordar os eventos que marcaram a nossa vida de fé. O Espírito Santo nos ajuda neste serviço da memória, lembrando-nos o que fomos e o que somos agora após a intervenção de Deus em nossas vidas.