Objetivo da Igreja é ajudar as pessoas a terem encontro pessoal com Cristo, diz arcebispo

Segundo Dom Odilo Scherer, Conferência de Aparecida enfatizou esse ponto

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SÃO PAULO, segunda-feira, 11 de junho de 2007 (ZENIT.org).- Segundo o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, o primeiro objetivo da Igreja, em sua missão, é «ajudar as pessoas a terem um encontro pessoal com Jesus Cristo».



Ao comentar o tema da Conferência de Aparecida em artigo difundido pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) esta segunda-feira, o arcebispo afirmou que «a Conferência de Aparecida recordou que a proposta cristã às pessoas e para o mundo não é, antes de tudo, a de uma doutrina ou de um código ético».

«A Igreja não vê em Jesus Cristo um personagem do passado, objeto apenas de considerações intelectuais, mas alguém vivo e presente no mundo, como companheiro da humanidade.»

«O encontro com ele, mediante a fé, suscita uma nova compreensão da vida, convicções, atitudes pessoais novas. Por isso, a Igreja latino-americana partiu de Aparecida com o renovado desejo de propor o Evangelho de Cristo como um bem para a vida das pessoas e dos povos», disse.
 
De acordo com Dom Odilo, embora permaneça a mesma ao longo dos séculos, a mensagem do Evangelho é comunicada em contextos históricos e culturais bem situados.

«Por isso, a própria fidelidade à missão requer da Igreja um discernimento constante para adequar sua ação às situações em contínua mudança».

O arcebispo afirmou que a Igreja quer «valorizar mais seu próprio fundamento, que é sua relação com Jesus Cristo e com Deus; ela precisa e quer ser mais eficaz no anúncio do Evangelho e no atendimento religioso à população».

«Numa palavra, a Igreja quer ser fiel à razão de sua existência, consciente que a evangelização é um processo dinâmico e jamais concluído; ela precisa estar em estado permanente de missão “para que, em Cristo, nossos povos tenham vida”.»

Segundo Dom Odilo Scherer, o anúncio do Evangelho suscita a fé religiosa pessoal; «mas propõe também uma visão de mundo, uma antropologia e uma concepção moral para orientar a convivência social».

«Na base dessa proposta encontra-se a afirmação da soberania de Deus e de sua proximidade em relação ao homem e ao mundo.»

«A fraternidade e a solidariedade entre todos os membros da grande família humana, a dignidade inviolável de cada pessoa e os direitos humanos, a justiça social, a paz e o zelo pelo patrimônio da natureza colocado à disposição de todos os viventes, são decorrências dessa verdade; ao longo dos séculos, tornaram-se mesmo referenciais compartilhados pela cultura de quase todos os povos, sobretudo ocidentais», afirmou.

Segundo o arcebispo, «a Igreja deseja continuar a propor esses referenciais e contribuir para que sejam acolhidos, de geração em geração, porque acredita serem importantes para a vida dos povos».

Ao constatar que ainda persistem situações contrárias à vida de amplos setores da população dos países latino-americanos, o arcebispo de São Paulo afirma que «os católicos e a instituição eclesial, com sua vasta rede de organizações, têm muito a contribuir para a vida dos povos e querem fazê-lo com renovada consciência».
 
«Junto com tantas outras instituições e organizações da sociedade, a Igreja deseja cumprir sua missão; para isso,convoca seus membros, presentes em todos os âmbitos da vida social, a desempenharem plenamente seu direito e dever de cidadania, partilhando suas convicções com a sociedade, bem conscientes da importância das propostas cristãs para a construção do bem comum. Esta é a aposta da Conferência de Aparecida para a vida dos povos deste Continente.»