Obra retrata “mártires esquecidos” da revolução mexicana

A maior parte, mulheres católicas

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Por Jaime Septién

ROMA, quinta-feira, 10 de junho de 2010 (ZENIT.orgEl Observador) - O Padre Luis Alfonso Orozco é especialista em história do México. Nascido em León, Guanajuato, foi ordenado sacerdote em 1996. Pertence à congregação dos Legionários de Cristo. Fez sua tese de doutorado sobre o tema do martírio no México durante a perseguição religiosa da primeira metade do século XX. Acaba de publicar a obra Héroes sin gloria. Semblanzas de algunos mártires y heroínas de nuestro tiempo (Librosenred.com, 2010).

ZENIT: Existem heróis sem glória?

Pe. Luis Alfonso Orozco: Trata-se de pessoas exemplares, cujas vidas não estão registradas na história oficial, mas que merecem ser contadas pelos admiráveis testemunhos de sua força, de sua fé e pelo que fizeram pelo bem do próximo. A glória humana vale pouco diante dos méritos dos mártires ou dos santos, que já se encontram no céu, mas para todos é uma ajuda conhecer seus exemplos de vida, para nos estimular na conquista da virtude. Em todas as épocas, os heróis com ou sem glória sempre nos estimulam na luta pelo bem.

ZENIT: Qual é a finalidade do obra que acaba de publicar?

Pe. Luis Alfonso Orozco: Mostrar as histórias destas pessoas, em particular de algumas mulheres valentes, cujos atos heróicos são quase desconhecidos ao grande público. Colocá-los diante dos olhos do leitor, para que conheça alguns fatos de uma vida muito positiva, onde o amor de Deus ao próximo triunfa sobre os perigos e também sobre a pouca atenção que prestamos ao que ocorre nesse mundo.

ZENIT: A maioria dos casos de martírio e de comportamentos heróicos que o senhor narra se refere às mulheres do México. Por que esta opção?

Pe. Luis Alfonso Orozco: O México é o país da América que tem mais beatos e santos, mas deles só há uma mulher canonizada, santa María de Jesús Venegas de la Torre (conhecida como “Madre Naty”). Quase sempre se fala nos livros e narrações sobre mártires ou heróis, porém em contrapartida a mulher é praticamente esquecida. Eu quis resgatar algumas dessas histórias pouco conhecidas sobre heroínas e mártires, que são mulheres mexicanas grandes por seu amor a Deus e ao próximo. São recentes, viveram durante o século passado e carregam nossos mesmos sobrenomes, mas são pouco conhecidas.

ZENIT: Há uma história que se destaca por sua beleza humana: o caso de María Romo (“Quica”), irmã de Santo Toribio Romo. Que o senhor encontrou em Quica para incluí-la entre os heróis sem glória?

Pe. Luis Alfonso Orozco: A grandeza humana que está por trás da simplicidade e critério de Quica. Se Toribio Romo e seu irmão Romão chegaram ao sacerdócio, humanamente em boa parte se deve à abnegação oculta e desinteressada de Maria “Quica”, sua irmã mais velha, quem se sacrificou para ajudá-los. Acostumada como estava à austeridade e pobreza de seu lugar, Quica não pensava em si mesma sem antes amar a Deus e ajudar seus semelhantes. As virtudes cristãs eram valores sociais para ela, pois ditos valores respiravam-se de modo natural nas numerosas famílias e católicas de então.

Ajudou seus irmãos mais novos a chegarem ao sacerdócio e continuou ajudando os seminaristas pobres até sua santa morte em Guadalajara, em 1959. A vocação desta admirável mulher foi de ser irmã dos sacerdotes, um deles mártir e santo, e madrinha de muitos seminaristas em seu caminho até o sacerdócio. É uma história que merece ser contada, valorizada. Os restos mortais de Maria “Quica” Romo descansam junto aos de seu irmão Toribio, na capela de Santa Ana de Guadalupe, Jalisco.

ZENIT: Entre as histórias que o senhor narra, qual é a que mais o impressionou e por quê?

Pe. Luis Alfonso Orozco: A história de Candelaria Borjas e Maria Ortega, duas jovens de Colima que foram membros das Brigadas Santa Joana D'Arc, porque sua martirial vida foi de heroísmo e de fidelidade a Deus e às suas consciências.

Novamente aqui temos o caso das valentes mulheres cujos nomes são desconhecidos; elas passaram pela história “sem glória” humana, mas ao fazê-las uma justa homenagem neste livro é proposto seu testemunho como modelo de vida e virtude para os jovens de hoje, que enfrentam desafios para a fé similares aos de antigamente.

ZENIT: Para a juventude, qual a contribuição do livro?

Pe. Luis Alfonso Orozco: Que eles conheçam alguns exemplos de vida próximos a eles e os estimulem no caminho até a virtude. Os jovens e os que têm coração jovem são os construtores do futuro de uma nação.

Na internet: http://tinyurl.com/2g8o6nl