ONU e Washington intervêm diante da expulsão de 150 mil iraquianos pelos radicais islâmicos

Aviões dos EUA lançam ajuda humanitária e Obama autoriza ataques aéreos, enquanto a ONU pede apoio para os desabrigados

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 574 visitas

O Iraque está sofrendo o êxodo de cerca de 150 mil cristãos e minorias religiosas e étnicas, expulsos das próprias casas devido ao avanço do exército jihadista do grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL). O papa Francisco lançou ontem mais um apelo urgente pela proteção das populações inermes que estão sendo obrigadas a fugir. O patriarca da Babilônia dos Caldeus, dom Raphael Sako, descreveu a situação como "uma catástrofe humanitária" e afirmou que os 150 mil cristãos e membros de minorias estão rumando para a região do Curdistão sem nenhum tipo de proteção.

O arcebispo caldeu de Kirkuk e Suleimaniya, dom Joseph Thomas, também levantou a voz e declarou à agência AFP: "É uma catástrofe, uma situação trágica. Clamamos ao Conselho de Segurança da ONU para intervir imediatamente. Dezenas de milhares de pessoas aterrorizadas estão sendo expulsas das suas próprias casas neste momento em que estamos aqui falando. Não podemos descrever o que está acontecendo". E acrescentou: "Eu sei que as cidades de Qaraqosh, Tal Kaif, Bartela e Karamlesh foram esvaziadas da sua população e estão agora sob controle dos milicianos". Dom Thomas também disse à AFP que foram destruídas cruzes e queimados manuscritos nas igrejas locais.

De Nova Iorque, em sua sessão de ontem à tarde, o Conselho de Segurança da ONU fez um apelo à comunidade internacional diante da crise no Iraque: "Convidamos a comunidade internacional a apoiar o governo e o povo do Iraque e fazer todo o possível para ajudar a aliviar o sofrimento da população".

O Conselho de Segurança qualificou de “escandalosa” a expulsão de milhares de yazidis e cristãos pelos jihadistas e pediu “ajuda humanitária urgente” para as vítimas.

Ainda ontem, os Estados Unidos realizaram uma primeira operação de lançamento de ajuda humanitária, principalmente de água e alimentos, em favor dos milhares de deslocados no norte do Iraque. Os víveres cobririam a necessidade de aproximadamente 8 mil pessoas das 40 mil que estão isoladas numa região montanhosa e desértica do norte do Iraque, nas proximidades do monte Sinjar, no Curdistão.

As necessidades são de todo tipo, especialmente de água, comida, abrigo e remédios. Se os refugiados tentarem descer das montanhas, correrão o perigo de ser massacrados pelas tropas islamistas sunitas, relatam diversos meios de comunicação.

Os refugiados são, na maioria, cristãos e yazidis curdos que fugiram do avanço das tropas islamistas do EIIL. Os yazidis curdos seguem uma das religiões mais antiga do mundo, que remonta à época do surgimento do judaísmo. De 14 milhões, eles estão hoje reduzidos a pouco mais de 700 mil.

Nos Estados Unidos, a operação de lançamento foi considerada um sucesso. O país afirmou que as suas Forças Armadas têm capacidade para fazer operações adicionais nos próximos dias.

O presidente Barack Obama anunciou também a autorização para ataques aéreos contra alvos determinados no Iraque. Obama avisou que os jihadistas do EIIL sofrerão ataques da aviação se avançarem contra Erbil, a capital do Curdistão iraquiano, onde se encontra uma sede diplomática norte-americana.

“Podemos agir”, disse Obama, “de forma responsável e prudente para evitar um potencial ato de genocídio”, ao se referir à minoria yazidi e aos cristãos isolados no norte do Iraque. O presidente dos EUA precisou que os ataques aéreos poderão também “ajudar as forças no Iraque enquanto elas lutam para romper o sítio e proteger os civis que estão sob assédio”.