Ordinário de Walsingham: católicos e anglicanos não competem

Pe. Newton analisa questões iniciais com que os ex-anglicanos deparam

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LONDRES, terça-feira, 1° de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) – Com apenas três semanas de existência, o Ordinariato pessoal para os ex-anglicanos da Inglaterra está recebendo grande cobertura internacional.

O padre Keith Newton, ex-bispo anglicano e agora sacerdote católico e primeiro Ordinário, falou com a BBC no último domingo sobre algumas questões com que os membros do Ordinariato estão deparando.

O Ordinariato pessoal de Nossa Senhora de Walsingham é a primeira resposta à Constituição Apostólica Anglicanorum coetibus, de Bento XVI (2009), que permite aos anglicanos voltar à plena comunhão com a Igreja Católica, mantendo elementos do próprio patrimônio anglicano. Sendo o primeiro, este Ordinariato servirá de modelo para os que forem criados no futuro em outros países.

Êxodo?

Quanta gente abandonará a Igreja da Inglaterra para aderir ao Ordinariato?

Segundo o padre Newton, não é possível fazer previsões. “Cada pessoa deve fazer uma profissão de fé individual”, disse ele à BBC. “É impossível dar um número”.

O sacerdote sugeriu que cerca de duas dezenas de grupos fariam essa mudança, e que, mais ou menos, cada grupo tinha de 10 a 70 membros. “Não teremos números confiáveis até que as pessoas comecem de verdade esta obra”, declarou.

Tentativas

Alguns membros da Igreja da Inglaterra ainda esperam que os anglicanos se decepcionem com a mudança e encontrem uma via para permanecer na congregação em vez de se converterem ao catolicismo dentro do Ordinariato.

Bispos da Igreja da Inglaterra difundiram nesta segunda-feira uma carta pastoral expressando suas esperanças a este respeito e explicando que estão “em busca de um modo que nos permita continuar sendo com integridade membros da Igreja da Inglaterra”.

Os bispos disseram que têm “o dever” de continuar à procura de “uma saída deste beco”, embora admitam que “não queriam dar esperanças” e que fracassaram as tentativas anteriores de “persuadir a Igreja da Inglaterra a tomar essas medidas que nos permitissem, de boa fé, permanecer nela”.

“Reconhecemos a grande mudança no coração que é necessária para conseguirmos isso”, escreveram.

A caminho

The Telegraph informou que, na última segunda-feira, outros 7 sacerdotes anglicanos e 300 fiéis anunciaram a decisão de se unir ao Ordinariato. O grupo é formado por três paróquias de Essex e três da região oriental de Londres.

Para estas pessoas e outras como elas, começará na quaresma um período de catequese. Logo antes da Páscoa elas serão acolhidas na Igreja Católica, para poderem participar na liturgia do tríduo como católicas. As catequeses continuarão durante o período pascal.

Quanto ao clero, as ordenações de sacerdotes católicos, para os que forem aceitos, são esperadas para Pentecostes, seguidas de outros dois anos de formação.

Incerteza

Uma vez que adiram ao Ordinariato, o clero e os fiéis deverão encarar questões comuns a comunidades jovens, como o lugar onde realizar o culto e de que maneira pagar as contas.

Sobre a possibilidade de uma colaboração continuada com a Igreja da Inglaterra, o padre Newton esclareceu à BBC: “Não estamos pedindo um teto sobre as nossas cabeças. Às vezes descrevem a situação como se fôssemos empresas que competem uma com a outra. Na verdade, estamos todos na mesma missão da Igreja, de maneiras diferentes, e acredito que trabalhar juntos seria a nossa missão ecumênica. Isto não quer dizer que não se trate de uma grande mudança que exige dinheiro”.

O padre Newton afirmou que a Igreja Católica da Inglaterra e de Gales fez uma doação de 250.000 libras esterlinas e que outras garantiram a sua contribuição. “No longo prazo, o Ordinariato se financiará, mas precisaremos de um pouco de tempo até chegar a esse ponto”.

Seus sacerdotes enfrentam ainda o fato de que “os presbíteros católicos são pagos de maneira bem diferente que os anglicanos; é um sistema novo e precisamos nos adaptar”.

O padre Newton expressou a esperança de que “podamos encontrar um tipo de trabalho de meio período, sendo capelães nas escolas, nos hospitais ou nos presídios; qualquer coisa ligada à vida sacerdotal e que os sacerdotes possam fazer”.

“Devemos entender que cada sacerdote tem que ter os recursos suficientes para viver com dignidade”, declarou o ordinário, “principalmente se são homens casados e com família”.