Oriente Médio: Igreja deve dar à mulher o lugar que lhe corresponde

Intervenções no Sínodo dos Bispos

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ROMA, quinta-feira, 21 de outubro de 2010 (ZENIT.org) - Várias mulheres, ouvintes no Sínodo do Oriente Médio, desejam que a Igreja dê à mulher o lugar que lhe corresponde. Isso poderia ser um testemunho para mulheres muçulmanas, às vezes "maltratadas", afirmam.    

No transcurso da 11ª congregação geral, a religiosa libanesa Marie-Antoinette Saadé, responsável pela formação e pelo noviciado da Congregação das Irmãs Maronitas da Sagrada Família, pediu que se desse à mulher "seu lugar verdadeiro e justo".

"A Igreja não deveria estar na vanguarda neste âmbito, frente às práticas difundidas em certos ambientes muçulmanos, nos quais a mulher é espancada, presa, pisoteada, maltratada, sem direitos, com deveres que a escravizam?", perguntou a religiosa à assembleia de patriarcas, cardeais, bispos e sacerdotes.

"Isso seria um verdadeiro testemunho", afirmou.

Segundo a Irmã Saadé, "reparar juntos o tecido social, promovendo a pessoa humana no centro da família e a partir dela, parece-me ser a resposta certa para uma pastoral urgente e eficaz".

A religiosa convidou a "acender a fé na família, que é o lugar privilegiado em que os filhos aprendem a reconhecer sua identidade e crescem desenvolvendo seus talentos e faculdades humanas e divinas. Porque a fé é adquirida no colo da mãe. É aí que se faz a primeira catequese, a mais eficaz e durável".

A urgência do testemunho da mulher cristã

Por sua vez, a Irmã Clauda Achaya Naddaf, superiora das religiosas do Convento de Nossa Senhora da Caridade e do Bom Pastor, da Síria, constatou que o documento de trabalho deste Sínodo não menciona as questões relativas às mulheres, em um Sínodo do Oriente Médio, lugar onde as mulheres são consideradas como inferiores.

"A metade da população da terra está constituída por mulheres. Muitas delas são vítimas da violência, exploração, vivem na pobreza extrema, seus direitos são pisoteados. Nossa mãe Igreja é mãe segundo o exemplo de Maria. Será que ela excluiria as mulheres das suas preocupações?", perguntou a Irmã Clauda.

Por último, Jocelyne Khoueiry, membro fundador e presidente do movimento leigo La Libanaise-Femme du 31 Mai, do Líbano, afirmou que "quando a mulher cristã pode se expressar e testemunhar a beleza da fé e do verdadeiro sentido da dignidade e da liberdade, constitui um testemunho urgente que interpela a mulher muçulmana e abre caminhos novos ao diálogo".

"Que nossas famílias possam ser apoiadas e acompanhadas por sua Igreja, mãe e mestra, para que sejam, de maneira concreta e decidida, santuários abertos ao dom da vida, sobretudo quando esta é ferida pela deficiência ou por dificuldades socioeconômicas, algo que não é secundário diante da ameaça contínua da emigração."

"Uma conversão, no nível da nossa escala de valores e da nossa forma de ser, manifesta-se como muito urgente. Estamos chamados a ser, com Maria, servidores da esperança nesta região sofrida e vítima de tanta injustiça", concluiu Jocelyne Khoueiry.

Ontem não houve congregação geral dos participantes do Sínodo. O dia foi dedicado à unificação, por parte do relator geral, do secretário especial e dos relatores dos grupos de trabalho, das "propostas" que serão apresentadas ao Papa, depois do necessário debate e emendas.

(Marine Soreau)