Os 150 anos de um "particularíssimo jornal"

A importância do L'Osservatore Romano contada em um livro

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de Antonio D’Angiò

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 18 de novembro, 2011 (ZENIT.org) – No 1° de julho de 1861, poucas semanas depois da proclamação do Reino da Itália, mas com Roma ainda capital dos Estados Pontifícios, foi impressa a primeira edição do L'Osservatore Romano, o "Jornal diário político e religioso", como pode ser lido ainda hoje na inscrição. No início de 1862, para enfatizar a vocação secular e religiosa do jornal, foram colocadas as duas expressões: "Unicuique suum" ("A cada um o seu”, que remonta ao Direito Romano) e "Non praevalebunt" (o "não prevalecerão" do evangelho).

Há 150 anos desse evento, o embaixador da Itália junto à Santa Sé, Antonio Zanardi Landi, e o diretor do L'Osservatore Romano, Giovanni Maria Vian, quiseram celebrá-lo com a realização do livro intitulado "Singolarissimo giornale” (“particularíssimo jornal”, com o apoio editorial da Allemandi & Co e recolhendo as reflexões de uma dezena de professores de história e de direito), retomando no título uma passagem de Giovanni Battista Montini (futuro Paulo VI) no artigo publicado por ocasião do centenário do jornal.

Duas linhas de estudo que se cruzam na publicação de 280 páginas e com o custo de 30 euros: a primeira é aquela relacionada com questões internacionais, que pode ser dito que é a verdadeira vocação do jornal do Estado do Vaticano. A segunda é inerente à história da Itália narrada através das páginas do L'Osservatore Romano.

Às questões internacionais se referem as reflexões de Giuseppe Dalla Torre, "Uma voz diferente na política internacional", de Ennio Di Nolfo "A Santa Sé e os Estados Unidos na arena internacional", de Andrea Riccardi "Um olhar do Vaticano para a Rússia" e de Silvio Ferrari e Paolo Zanini sobre "A questão do Oriente Médio."

Os temas mais puramente históricos, que consentem tomar do livro muitos argumentos do “quotidiano” assim como foram contados ao longo dos anos, são representados nos discursos de Gianpaolo Romanato "O fim dos Estados Pontifícios", de Giovanni Battista Varnier "As controvérsias com o fascismo depois do Pacto de Latrão”, de Roberto Pertici “Diante do nazismo”, de Peter Pastorelli “Às origens do caso Pio XII” e de Carlo Cardia sobre  “O jornal da Santa Sé e a República Italiana".

Justo esses interlúdios tirados de jornais do tempo, permitem que o leitor facilmente se aproxime dos eventos cobertos, e também que possa usar o livro como uma ferramenta para a investigação científica.

O livro oferece ao leitor, também, algumas passagens e comentários que encontram uma correspondência com as questões da informação, da política e da economia internacional, assim como chamou a atenção da opinião pública naqueles anos.

Primeiro sobre o papel da imprensa, conforme descrito no artigo acima citado de Montini, que assim se manifesta na sua primeira parte: "Porque além da liberdade de imprensa existe, e em grado muito mais alto e nunca contestado, a liberdade de criticar a imprensa; só não quando esta permanece geralmente silenciosa, e aquela ao contrário muito ruidosa".

E sobre o relacionamento entre as instituições internacionais após a assinatura de acordos históricos, como foi aquele de Camp David, onde L'Osservatore Romano, em uma nota não assinada, no final de Junho de 1980 intitulada Jerusalém, expressou-se assim: "Qualquer poder que se encontre exercitando a autoridade sobre a Cidade Santa deve assumir, diante das outras religiões espalhadas pelo mundo, o compromisso de tutelar, juntamente com o caráter próprio da mesma cidade, os direitos relativos aos lugares Santos e às respectivas Comunidades, de acordo com um sistema jurídico apropriado, garantido por uma instância superior internacional".

Finalmente, sobre algumas questões de economia internacional: no dia 27 março de 1957, enquanto publicava uma apologia dos tratados de Roma "pedra angular" da história europeia, "L'Osservatore Romano", publicava um artigo de Franciso Vito, talvez o maior expoente do pensamento econômico italiano contemporâneo, visto como expressão do catolicismo: "Estudiosos de todo o mundo - escrevia Vito - estão engajados na discussão das áreas subdesenvolvidas. Eles se sentem, entretanto, em grande parte, despreparados para a tarefa árdua".

Um livro que permite compreender como L'Osservatore Romano, embora com uma tiragem limitada, tem podido narrar com credibilidade os dias destes 150 anos, em tantas partes do mundo, em tantas línguas diferentes.


Para adquirir o livro, em italiano, editado por Antonio Zanardi Landi e Maria Giovanni, “Singolarissimo giornale” - Allemandi & Co: 

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[Tradução TS]