Os graus da bênção

Responde o pe. Edward McNamara, LC, professor de teologia e diretor espiritual

Roma, (Zenit.org) Pe. Edward McNamara, L.C. | 1228 visitas

Um leitor nigeriano de Zenit enviou a seguinte pergunta ao padre Edward McNamara:

Eu sou sacerdote católico e acredito que tudo o que é abençoado por um sacerdote validamente ordenado se torna bento. Não existe bênção pela metade. Fico desconfortável, por isso, quando vejo padres que abençoam a água para a consagração antes de colocá-la no cálice e usam o resto desta água benta para lavar as mãos e para as abluções. O restante da água também é conservado para a celebração seguinte. Isto é liturgicamente correto? - CI, Estado de Imo, Nigéria.

Publicamos a resposta do pe. McNamara:

Em primeiro lugar, devo recordar que as rubricas não preveem que o padre abençoe ou faça o sinal da cruz sobre a água antes de derramá-la no cálice. O Missal Romano diz simplesmente: "O diácono ou o sacerdote derrama o vinho e um pouco de água no cálice...".

Assim, se o padre usa a forma ordinária e segue o rito corretamente, o problema não acontece.

A prática de fazer o sinal da cruz sobre a água provavelmente deriva da forma extraordinária. Nela, o sacerdote faz este sinal da cruz quando o ministrante lhe apresenta a água, e começa a oração: "Deus, qui humanae substantiae"... Ao chegar às palavras "da nobis per huius aquae et vini mysterium", ele pega a galheta da água com a mão direita e despeja a água no cálice.

Seja qual for a origem da prática, fazer o sinal da cruz sobre um objeto não equivale automaticamente a abençoá-lo. A forma extraordinária, por exemplo, tem muitos sinais da cruz que não são, estritamente falando, bênçãos. Aliás, visto que alguns desses sinais da cruz são feitos sobre as sagradas espécies, eles não podem jamais ser considerados como bênçãos, pois ninguém pode dar uma bênção a Deus.

Além disso, existem vários tipos de bênçãos. Por exemplo, a Igreja tem um rito próprio para a água benta que requer muito mais do que um simples sinal da cruz. Requer uma longa oração, que expressa as intenções e os propósitos da Igreja ao abençoar a água para uso devocional. Esta oração deveria ser normalmente utilizada, embora, em caso de emergência, possa ser abreviada. Estas são as chamadas "bênçãos constitutivas", que mudam a finalidade do objeto, reservando-o para uso sagrado ou litúrgico.

Não é o mesmo caso quando um padre abençoa a mesa antes das refeições. A comida não se torna sagrada e pode ser reutilizada se sobrar. Estas são as chamadas "bênçãos invocativas", porque simplesmente invocam a benevolência de Deus para pessoas ou objetos, sem alterar a sua natureza nem torná-los sagrados.

Portanto, não é verdade que uma vez que um padre abençoa algo, esse algo se torna para sempre e permanentemente bento. A Igreja reconhece vários graus de bênçãos e várias situações, e, desta forma, organiza os seus ritos congruentemente.