Os nigerianos estão juntos pela liberdade e dignidade

Entrevista com D. Ignacio Kaigama, Presidente da Conferência Episcopal da Nigéria

Roma, (Zenit.org) Redacao | 363 visitas

Na noite de 14 de Abril, cerca de 275 meninas foram raptadas de uma escola pública, na cidade de Chibok, no estado de Borno, Nigeria. O grupo extremista Boko Haram assumiu a responsabilidade do sequestro.

A Fundação AIS falou com D. Ignacio Kaigama, Arcebispo de Jos e Presidente da Conferência Episcopal da Nigéria:

Fundação AIS: Mons. Kaigama, esta não é a primeira vez que o grupo Boko Haram comete um acto de violência contra vítimas inocentes na Nigéria, mas desta vez o golpe chocou o mundo.

Mons. Kaigama: Eles queriam ferir o coração da Nigéria. Estou muito preocupado. Essas meninas nunca saíram da cidade e agora encontram-se na selva. Rezo para que os valores religiosos que o grupo Boko Haram defende sejam suficientes para respeitarem a dignidade dessas meninas. Elas são simplesmente meninas inocentes. A vida é sagrada.

Fundação AIS: É trágico que tenha de acontecer algo tão terrível para atrair a atenção do mundo.

Mons. Kaigama: Sim, o grupo Boko Haram tem cometido uma série de ataques e já mataram milhares de pessoas desde 2009. Na minha própria diocese de Jos, já sofremos vários ataques, por exemplo, contra a igreja católica de St. Finbarr, onde morreram 14 pessoas. Em Fevereiro, o grupo terrorista assassinou mais de 100 homens cristãos nas aldeias de Doron Baga Izghe, mas a comunidade internacional não reagiu. Desta vez foi diferente porque se trata de meninas inocentes e também porque afecta directamente o sofrimento de mulheres, as mães dessas meninas. E as mulheres podem identificar-se melhor com o sofrimento dos outros. As mulheres começaram a organizar manifestações: tanto com cristãos como com muçulmanos.

Fundação AIS: Apesar do grupo Boko Haram perseguir os cristãos e tentar islamizar todo o país, não é verdade que cada vez mais a perseguição e a violência afectam também a comunidade muçulmana?

Mons. Kaigama: Sim. No início, a ideia principal era destruir o Cristianismo, os denominados "valores ocidentais" e implementar a lei da Sharia, no norte da Nigéria. Os ataques dirigiram-se não só contra os cristãos, como também contra a polícia e outras instituições representativas dos valores ocidentais. Mas agora ninguém pode dizer que eles atacam apenas os Cristãos. O grupo Boko Haram matou também clérigos muçulmanos. Neste momento, não se trata apenas de uma luta entre norte e sul, nem tão pouco entre muçulmanos e cristãos. Trata-se de seres humanos. Os nigerianos estão juntos pela liberdade e dignidade; está a crescer uma única voz, uma voz que diz: «a violência não é a solução. 

(Fonte: Departamento de Informação da Fundação AIS)