Os nigerianos estão juntos pela liberdade e dignidade (Parte II)

Entrevista com D. Ignacio Kaigama, Presidente da Conferência Episcopal da Nigéria

Roma, (Zenit.org) | 405 visitas

Na noite de 14 de Abril, cerca de 275 meninas foram raptadas de uma escola pública, na cidade de Chibok, no estado de Borno, Nigeria. O grupo extremista Boko Haram assumiu a responsabilidade do sequestro.

A Fundação AIS falou com D. Ignacio Kaigama, Arcebispo de Jos e Presidente da Conferência Episcopal da Nigéria. Eis a segunda parte da entrevista:

Fundação AIS: Quantas destas meninas raptadas são cristãs, e em que medida o elevado número de cristãs foi o motivo deste rapto?

D. Kaigama: A maioria das meninas são cristãs. A maioria das meninas que escaparam eram cristãs, pelo que podemos também supor o mesmo das outras meninas que ainda se mantêm sequestradas. Mas também é verdade que algumas são muçulmanas e também foram sequestradas. Portanto, este incidente demonstra uma vez mais que o grupo Boko Haram também se dirige contra os muçulmanos.

Fundação AIS: Não têm faltado críticas sobre a reacção do Governo relativamente à violência perpetrada pelo grupo Boko Haram, especialmente após o rapto das meninas. Essas críticas são justificadas?

D. Kaigama: O Governo subestimou a crise Boko Haram e, por isso, demorou a reagir. Parte do problema é que os recursos não são usados ​​correctamente para fornecer as condições adequadas aos agentes de segurança e facilitar-lhes o equipamento apropriado para lutar contra a violência, talvez devido a algumas práticas corruptas. Algumas fontes das forças de segurança  queixam-se de que as armas do grupo Boko Haram são mais sofisticadas e são mais desenvolvidas do que as da polícia e do exército. Os recursos devem chegar às pessoas certas. Além disso, as famílias dos soldados que morreram ao tentar defender as pessoas não têm recebido ajuda suficiente. É importante que estas famílias recebam assistência.

Fundação AIS: O que é que a Igreja Católica está a fazer em resposta aos sequestros?

D. Kaigama: Temos tentado o diálogo e não tem funcionado. O Governo recorreu à força e não funcionou. Neste momento, o que temos de fazer é rezar: apenas Deus pode tocar o coração destas pessoas. Rezamos e pedimos as vossas orações. Como presidente da Conferência Episcopal , escrevi a todos os católicos da Nigéria, para que fizessem uma hora de Adoração, pedindo a todos os bispos, sacerdotes e fiéis que rezem por elas.

Fundação AIS: O que pede nas suas orações?

D. Kaigama: Rezo por três intenções: em primeiro lugar, que libertem as meninas o mais rapidamente possível, sãs e salvas. Em segundo lugar, que o grupo Boko Haram pare estes ataques e acabe com a violência. E em terceiro lugar, que o Governo receba ajuda de outros países de todo o mundo. Que os países se unam para lutar contra o terrorismo, a fome, a pobreza a fim de criar uma unidade autêntica e não apenas para servir os -hipócritas- interesses políticos.

Fundação AIS: Este problema já se arrasta há cinco anos. Tem esperança de que a comunidade internacional possa resolver este problema, agora?

D. Kaigama: Nós temos de nos manter unidos, esta é a única solução. O grupo Boko Haram tem armas, mas como é que estas armas chegaram aos terroristas? De onde vem este dinheiro? Quem os treina? Creio que a comunidade internacional pode solucionar. Eu sou um padre e esse não é o meu trabalho, mas penso que, se os governos internacionais colaborarem entre si, então pode haver uma solução. A Nigéria desempenha um papel importante em África e no mundo. É melhor ajudar agora antes que seja tarde demais e tornar-se ainda mais complicado.

Clique aqui para ler a primeira parte

(Fonte: Fundação AIS)