Os primeiros beatos mártires do Ano da Fé

Frederico Bachstein e treze companheiros da Ordem dos Frades Menores

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ROMA, segunda-feira, 15 de outubro de 2012 (ZENIT.org) - A capital tcheca, Praga, foi o cenário do reconhecimento da coragem de catorze franciscanos que, no meio das guerras de religião do século XVII, defenderam a fé até entregar a própria vida. Frederico Bachstein, responsável pelo convento franciscano, foi proclamado beato e mártir da Igreja conjuntamente com treze companheiros, em cerimônia celebrada no último sábado, 13.

O rito de beatificação aconteceu na catedral de São Vito, em Praga, e foi presidido pelo cardeal Angelo Amato, que celebrou a eucaristia em latim, acompanhado de todos os bispos da República Tcheca.

"Ontem, em Praga, foram proclamados beatos Frederico Bachstein e treze membros da Ordem dos Frades Menores. Eles foram assassinados em 1611 por causa da fé. São os primeiros beatos do Ano da Fé e são mártires: eles nos lembram que acreditar em Cristo significa estar dispostos também a sofrer com Ele e por Ele", disse Bento XVI ontem, domingo, depois do ângelus.

Os catorze frades do convento de Nossa Senhora das Neves, de Praga, procedentes da Itália, da Boêmia, da Espanha, da França e da Alemanha, foram vítimas da instável situação política no então Reino Tcheco e pagaram com o próprio sangue pela sua firmeza na fé. A convicção de que morreram como mártires era evidente para as pessoas que os conheceram.

O martírio dos 14 franciscanos se insere na luta entre protestantes e católicos. Rodolfo II, rei da Boêmia e imperador, concedeu em 1609 a liberdade religiosa às confissões não católicas presentes na região, mas o conflito entre partidários das diversas confissões se incendiou dramaticamente. Havia interesses de outro tipo, relacionados com o acesso ao trono.

Em 15 de fevereiro de 1611, uma multidão de hussitas, calvinistas, luteranos e católicos irrompeu no convento franciscano de Praga. Em apenas quatro horas, foram massacrados 14 frades, começando pelo vigário do mosteiro, Frederico Bachstein.

As crônicas da época afirmam que o massacre foi de uma violência sem precedentes: os agressores despiram, esquartejaram e expuseram os corpos mutilados dos religiosos durante quatro dias na frente da Igreja de Nossa Senhora das Neves.

Duas piedosas mulheres da aristocracia, com a ajuda de outros dois cidadãos, envolveram às escondidas os cadáveres dos mártires em lençóis brancos e os enterraram perto do convento.

O arcebispo de Praga, cardeal Dominik Duka, ao inaugurar uma exposição com a história dos novos beatos, afirmou que "os objetos expostos testemunham os tristes acontecimentos no convento em fevereiro de 1611. Temos aqui um documento de Rodolfo II de Habsburgo que confirma a liberdade de religião no Reino Tcheco, uma veste litúrgica que o monge Juan Martínez vestia na hora da sua morte, uma estátua da Virgem Maria, junto à qual foi assassinado outro sacerdote. Os visitantes podem ver o caixão em que estavam sepultados desde 1677 os restos mortais dos catorze sacerdotes franciscanos e que foi recolhido em julho deste ano para um estudo antropológico. A ideia da mostra é vincular os objetos com os lugares concretos do convento em que os monges foram mortos”.

O superior geral dos franciscanos, o espanhol Javier Rodríguez Carballo, agradeceu a Bento XVI por esta nova beatificação.

[Trad.ZENIT]