Os primeiros santos de Francisco: duas latino-americanas

Lupita e Laura "deram o testemunho da caridade, sem o qual até o martírio e a missão perdem o sabor cristão"

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 447 visitas

Em sua primeira cerimônia de canonização, realizada neste domingo, o papa Francisco elevou à honra dos altares 802 santos de uma só vez.

As duas novas santas latino-americanas são a colombiana Laura Montoya y Upegui, fundadora da congregação religiosa das Missionárias de Maria Imaculada e de Santa Catarina de Sena, e a mexicana Maria Guadalupe Garcia Zabala, co-fundadora da congregação das Servas de Santa Margarita Maria e dos Pobres.

Madre Laura e madre Lupita, como eram chamadas popularmente, foram aplaudidas por alguns milhares de colombianos e mexicanos presentes na praça e aclamadas como Santa Laura e Santa Lupita.

O número inusitado de canonizados se deve aos 800 mártires de Otranto, decapitados no sul da Itália: eles preferiram morrer a renegar a fé, proclamando as palavras: “Cremos em Jesus Cristo, Filho de Deus, em quem fomos salvos. Preferimos mil vezes morrer a renegá-lo e a nos tornarmos muçulmanos”.

As canonizações de hoje foram aprovadas por Bento XVI em 28 de fevereiro, poucos instantes antes de anunciar a sua renúncia, e é a primeira realizada pelo novo pontífice.

“Quero saudar todos vocês que vieram para esta festa, da Itália, da Colômbia, do México e de outros países, e lhes agradeço”, disse o papa na homilia. “Contemplemos os novos santos à luz da palavra de Deus que proclamamos. Uma palavra que nos convida à fidelidade a Cristo, inclusive até o martírio. Ele nos chamou à urgência e à beleza de levar Cristo e o Evangelho para todos; e nos falou do testemunho da caridade, sem o qual até o martírio e a missão perdem o seu sabor cristão”, afirmou.

Ao recordar os mártires italianos, o papa pediu orações para que “Deus sustente os cristãos que, nestes nossos tempos e em tantas partes do mundo, ainda sofrem violência, e lhes dê a coragem para ser fiéis e responder ao mal com o bem”.

Referindo-se à “primeira santa nascida na linda terra colombiana”, Francisco recordou que ela ensinou “a não viver a fé solitariamente, como se fosse possível viver a fé isoladamente”, mas a “comunicá-la, irradiar a alegria do Evangelho com a palavra e com o testemunho de vida onde quer que nos encontremos”. E a “ver o rosto de Jesus refletido no próximo, a vencer a indiferença e o individualismo, que corrói a comunidade de cristãos e o nosso próprio coração, e a acolher a todos sem preconceitos nem reticências”, compartilhando com eles o que temos de mais valioso, “que não são as nossas obras nem as nossas organizações; o mais valioso que nós temos é Cristo e o seu Evangelho!”.

Sobre Santa “Lupita”, o papa destacou: “Ela renunciou a uma vida cômoda. Quanto prejuízo a vida cômoda nos causa! O bem-estar, o aburguesamento do coração nos paralisa”. Francisco ressaltou que quando ela se ajoelhava no chão do hospital diante dos enfermos e dos abandonados, para servi-los com ternura e compaixão, “isto se chama tocar na carne de Cristo. Os pobres e os abandonados, os doentes, os marginalizados, são a carne de Cristo. E a madre Lupita tocava na carne de Cristo e nos ensinava essa conduta: não ter vergonha, não ter medo nem nojo de tocar na carne de Cristo!”.

Estiveram presentes na cerimônia o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, a ministra da Justiça da Itália, Anna Maria Cancellieri, e o diretor de Assuntos Religiosos do México, Roberto Herrera Mena. 

As pessoas presentes se mostraram impressionadas com o longo percurso que o papa Francisco fez pela praça no meio do povo, de aproximadamente uma hora, chegando a adentrar algumas quadras da Via da Conciliação para saudar em particular as crianças e os doentes.