Os santos não são "super-homens" e ser santo não é "privilégio de poucos"

Durante o Angelus por causa da celebração de Todos os Santos, o Papa Francisco lembra que o objetivo da nossa vida não é morte mas o Paraíso

Roma, (Zenit.org) | 1388 visitas

Às 12 horas de hoje, Solenidade de Todos os Santos, o Papa Francisco apareceu na janela do seu escritório no Palácio Apostólico Vaticano para recitar o Angelus com os fieis e os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro. Publicamos abaixo as palavras do Papa antes e depois da oração mariana:

***

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!

a festa de Todos os Santos, que hoje celebramos , nos lembra que o objetivo da nossa existência não é a morte, é o Paraíso! Isto foi escrito pelo apóstolo João: "O que seremos ainda não se manifestou. Sabemos que por ocasião desta manifestação seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é” (1 Jo 3, 2). Os santos, os amigos de Deus, nos garantem que esta promessa não decepciona. Em sua existência terrena, de fato, viveram em profunda comunhão com Deus. No rosto dos irmãos menores e desprezados viram o rosto de Deus, e agora o contemplam face a face na sua beleza gloriosa.

Os santos não são super-homens, nem nasceram perfeitos. São como nós, como cada um de nós, são pessoas que antes de chegar à glória viveram uma vida normal, com alegrias e tristezas, lutas e esperanças. Mas o que foi que mudou as suas vidas? Quando conheceram o amor de Deus, seguiram-no com todo o coração, sem condições e hipocrisias; consumiram as suas vidas no serviço dos outros, suportaram sofrimentos e adversidades sem odiar e respondendo o mal com o bem, difundindo alegria e paz. Esta é a vida dos Santos: pessoas que por amor a Deus  não lhe colocaram restrições nas próprias vidas; não foram hipócritas; gastaram as suas vidas no serviço dos outros para servir o próximo; sofreram muitas dificuldades, mas sem odiar. Os Santos nunca odiaram. Compreendam bem isso: o amor é de Deus, mas o ódio vem de quem? O ódio não vem de Deus, mas do diabo! E os santos se afastaram do diabo; Os Santos são homens e mulheres que têm a alegria no coração e a transmitem aos outros. Nunca odiar, mas servir os outros, os mais necessitados; orar e viver na alegria; esse é o caminho da santidade!

Ser santos não é um privilégio de poucos, como se alguém tivesse recebido uma grande herança; todos nós no Batismo temos a herança de poder tornar-nos santos. A santidade é uma vocação de todos. Todos, portanto, somos chamados a percorrer o caminho da santidade, e este caminho tem um nome, um rosto: o rosto de Jesus Cristo. Ele nos ensina a sermos santos. Ele nos mostra o caminho do Evangelho: o das Bem-aventuranças (cf. Mt 5, 1-12). O Reino dos Céus, na verdade, é para aqueles que não depositam sua confiança nas coisas, mas no amor de Deus; para aqueles que têm um coração simples, humilde, não presumem que são justos e não julgam os outros, aqueles que sabem sofrer com quem sofre e alegrar-se com quem se alegra, não são violentos mas misericordiosos e buscam ser artífices de reconciliação e de paz. O Santo, a Santa é artífice de reconciliação e de paz; sempre ajuda as pessoas a se reconciliarem e sempre contribui para que haja a paz. E assim, a santidade é bela; é um belo caminho!

Hoje, nesta festa, os santos nos dão uma mensagem. Nos dizem: confiem no Senhor, porque o Senhor não decepciona! Nunca decepciona, é sempre um bom amigo ao nosso lado. Com o seu testemunho os Santos nos encorajam a não termos medo de nadar contra a corrente ou de sermos mal interpretados e ridicularizados quando falamos Dele e do Evangelho; nos mostram com as suas vidas que aqueles que permanecem fieis a Deus e à sua Palavra experimenta já nessa terra o conforto do seu amor e depois “cem vezes mais” na eternidade. Isso é o que esperamos e pedimos ao Senhor pelos nossos irmãos e irmãs defuntas. Com sabedoria a Igreja colocou muito próximas a festa de Todos os Santos e a Comemoração de todos os fieis defuntos. À nossa oração de louvor a Deus e de veneração aos espíritos bem aventurados une-se à oração de sufrágio por todos aqueles que nos precederam na passagem desse mundo à vida eterna.

Confiemos a nossa oração à intercessão de Maria, Rainha de todos os Santos.

[Depois do Angelus]

Queridos irmãos e irmãs,

Saúdo todos vós com afeto, especialmente as famílias, os grupos paroquiais e as associações.

Uma calorosa saudação vai para todos os que participaram esta manhã na Corrida dos Santos, organizada pela Fundação "Dom Bosco no mundo". São Paulo diria que toda a vida do cristão é uma “corrida” para conquistar o prêmio da santidade: vocês nos dão um bom exemplo! Obrigado por esta corrida!

Esta tarde irei ao cemitério do Verano e celebrarei a Santa Missa lá. Estarei unido espiritualmente a todos aqueles que visitam nesses dias os cemitérios, onde dormem aqueles que nos precederam no sinal da fé e esperam o dia da ressurreição. Especialmente, rezarei pelas vítimas da violência, especialmente pelos cristãos que perderam a vida por causa das perseguições. Rezarei também de modo especial por todos, irmãos e irmãs nossos, homens, mulheres e crianças que foram mortos por causa da sede, da fome e do cansaço na luta para chegar a uma condição de vida melhor. Nestes dias temos visto nos jornais aquelas imagens cruéis do deserto: façamos todos, em silêncio, uma oração por estes irmãos e irmãs nossos.

Desejo a todos uma boa festa de Todos os Santos. Até mais e bom almoço!

Traduzido do original italiano por Thácio Siqueira