Outro casal a caminho dos altares... «pelas mãos» de seu filho
O padre Piero Gheddo, fundador de «AsiaNews»
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MILÃO/TRONZANO, quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006 (ZENIT.org).- Faltam dez dias para que a localidade piamontesa de Tronzano (província de Vercelli) veja a abertura do processo diocesano para a beatificação dos esposos Rosetta Franzi (1902-1934) e Giovanni Gheddo (1900-1942), cuja causa foi impulsionada --sem pretender inicialmente-- por um de seus filhos, o conhecido sacerdote missionário Piero Gheddo.
Será o arcebispo de Vercelli, Dom Enrico Masseroni, quem, no curso do ato de 18 de fevereiro próximo, na igreja paroquial local, instituirá o Tribunal informativo para o exame dos testemunhos e dos documentos relativos aos servos de Deus. O casal, da «Ação Católica», segue gozando de fama de santidade.
«Fala-se muito de crises do matrimônio, de crises das famílias, de crises dos jovens em nossas sociedades opulentas (...). Este é um exemplo, um caso concreto e recente, de como dois esposos, em uma vida totalmente normal, tentaram viver o Evangelho no matrimônio e na família, sendo ainda recordados como exemplos, e a cuja intercessão se percorre 60 e 70 anos depois de sua morte», reconhece o padre Gheddo em uma mensagem enviada a Zenit.
O sacerdote italiano (nasceu em 1929), do Pontifício Instituto para as Missões Estrangeiras (PIME), é um dos missionários mais conhecidos em todo o mundo. É o fundador de «AsiaNews», entre as publicações missionárias mais influentes, como «Mondo e Missione», que dirigiu por 35 anos. É autor de mais de 70 livros.
Mestra, esposa, mãe
Originária de Crova (Vercelli) e professora, Rosetta Franzi --é o próprio padre Gheddo que descreve sua mãe-- «manifestou sua santidade sobretudo no amor a seu marido e a seus três filhos».
«Muito religiosa e caritativa com os pobres, ensinava privadamente a homens e mulheres que não haviam ido à escola», prossegue. Jovem esposa e mãe em Tronzano, participava da «Ação Católica» e era catequista paroquial.
Como esposa, em seus seis anos de casamento «se consagrou totalmente ao serviço». O casal desejava muitos filhos. Nasceram Piero, Francesco (1930) e Mario (1931).
Rosetta Franzi morreu de parto e de pneumonia aos 31. Desejava três filhos. Seu marido ficou viúvo aos 34 anos.
Poucos dias depois de sua morte, o pároco de seu povoado natal celebrou a Missa de sufrágio com ornamentos brancos, declarando aos fiéis: «Fui o pároco e o confessor de Rosetta. Era um anjo e já está no Paraíso. Não celebramos a Missa de falecido, mas cantamos a Missa dos Anjos».
«Conciliador» e «herói»
Giovanni Gheddo nasceu em Viancino. Casou-se em 1928 com Rosetta.
Seu filho, o padre Gheddo, descreve-o como um «homem de grande bondade e caridade», «membro ativo da Ação Católica, comprometido em diversas obras paroquiais», «ainda recordado como o “designer dos pobres”: fazia grátis seu trabalho para os menos favorecidos».
«Por sua autoridade moral e religiosa, era chamado de “conciliador”» nas disputas do povoado: «conseguia levar a paz, recorrendo à Divina Providência e ao amor que deve reinar nas famílias e na convivência civil», prossegue.
Giovanni Gheddo --relata seu filho-- foi «enviado à guerra na Rússia como castigo por não se ter inscrito no Partido fascista (permanecera em casa, como pai viúvo de três menores)»; «morreu em 1942 na União Soviética com um gesto heróico de caridade».
Era capitão de artilharia de uma divisão; ordenou-se que se retirasse quando em 17 de dezembro daquele ano os soviéticos haviam desencadeado a ofensiva. «Poderia pôr-se a salvo com seus militares, mas disse a seu jovem subtenente (que devia ficar no hospital de campana com os feridos que não podiam ser trasladados): “Tu és jovem, deves ainda fazer uma vida. Salva-te; aqui fico eu”», conta o padre Gheddo.
Este publicou as cartas que seu pai enviava desde a Rússia no volume «O testamento do capitão», Ed. São Paulo, 2003. Igualmente abordou no ano passado, em outro livro da mesma editorial, «Questi santi genitori» («Estes santos pais»), a história dos servos de Deus junto a numerosos testemunhos de sua fama de santidade.
Esposos juntos nos altares: a beleza de ter pais «santos»
Atualmente diretor do Departamento histórico do PIME, o padre Gheddo publica no número deste mês de «Mondo e Missione» um artigo no qual reconhece quão belo é ser «filho de pais “santos».
«Que belo, queridos amigos leitores, crescer em uma família na qual a mãe e o pai são “santos” (entre aspas, porque o juízo corresponde à Igreja)», aponta.
«Tu te sentes sempre, também desde pequeno, no calor do amor e da benção de Deus --explica--. Tens diante exemplos formidáveis, e quando te fazes ancião te comoves e agradeces a Deus ter tido» pais assim.
«Desde sempre a Igreja (...) propõe exemplos concretos sobre como se pode viver com heroísmo evangélico no amor conjugal e familiar», firma o padre Gheddo. Aponta também como João Paulo II «dizia freqüentemente à Congregação para as Causas dos Santos que propusessem casais de esposos para a beatificação».
Em 21 de novembro de 2001, o Papa beatificou Maria e Luigi Beltrame Quattrocchi. «Atualmente outros três casais de esposos estão a caminho da beatificação. Um destes formado por Rosetta e Giovanni, a quem nós, seus três filhos, veneramos sempre e a quem oramos como santos autênticos», admite o padre Gheddo.
A origem da causa
O início do caminho da beatificação dos esposos Rosetta Franzi e Giovanni Gheddo, com a constituição do Tribunal para o «processo informativo diocesano», foi decisão do arcebispo de Vercelli, confirma o padre Gheddo.
Dom Masseroni escreveu: «A aventura humana e cristã dos cônjuges Gheddo é um dom singular de Deus para os homens e as mulheres de nosso tempo; um exemplo de vida evangélica possível a todos, um testemunho alentador sobretudo para tantos pais que se esforçam frente às muitas agressões de uma cultura atravessada pelos ventos contra a família».
Mas a idéia da causa de beatificação dos pais do missionário do PIME nasceu após a publicação em junho de 2003 de «O testamento do capitão», antes citado.
O volume foi «muito vendido e lido»: «muitos me escreveram dizendo que meu pai e minha mãe eram dois santos; recebi convites de conferências para apresentar o livro e meus pais», explica o padre Gheddo. Assim reconheceu também o próprio arcebispo de Vercelli, em outubro desse ano.
«Mas eu não pensava em propor a abertura de sua causa de beatificação (...). Enquanto isso seguia recebendo cartas com esse pedido», relata.
Vista a evolução dos acontecimentos, «consultei em Roma a Congregação para as Causas dos Santos sobre a oportunidade de um passo assim por minha parte --relata o padre Gheddo--, e o subsecretário, monsenhor Michele Di Ruberto, disse-me: “A causa de seu pai e sua mãe agradará muito o Papa, que continua nos dizendo que lhe apresentemos beatos e santos leigos e sobretudo cônjuges”».
Desta forma, em 19 de janeiro de 2004, o missionário do PIME escreveu ao arcebispo de Vercelli apresentando-lhe o pedido contido nas cartas que havia recebido neste sentido. «Chamou-me declarando-se entusiasta da idéia», recorda.
Em junho, o prelado constitui promotor da causa o Ofício diocesano da Família, com a com a colaboração da Ação Católica diocesana e do Movimento pela Vida; a postuladora é a doutora Francesa Consolini (de Milão), que já levou numerosas causas para a diocese de Milão e também para o PIME.
Em dezembro de 2005 e janeiro de 2006, Dom Masseroni nomeou os membros do Tribunal diocesano, cujo delegado episcopal e presidente é monsenhor Ennio Apeciti, especialista diretor do Ofício das Causas dos Santos da arquidiocese de Milão. Igualmente fixou a data de constituição do Tribunal e início de seus trabalhos: em 18 de fevereiro próximo.
A obtenção de graças recebidas por intercessão dos servos de Deus Rosetta Franzi e Giovanni se podem comunicar a:
Francesca Consolini (postuladora da causa)
Piazza Duomo, 16
20122 Milão
(tel. 02.86.46.26.49)
Padre Piero Gheddo
P.I.M.E. (Pontificio Istituto Missioni Estere)
Via Monterosa, 81
20149 Milão
(tel. 02.43.82.01)


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