Outro cristão acusado de blasfêmia no Paquistão

A arquidiocese de lahore negou os relatos

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LAHORE, sexta-feira, 16 de dezembro de 2011(ZENIT.org)- A Arquidiocese de Lahore no Paquistão, negou os relatos de que um católico de 24 anos teria queimado páginas do Alcorão.

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As alegações de que Khuram Masih destruiu parte do livro sagrado muçulmano são infundadas - e muitos relatos da mídia sobre o caso são imprecisos – disse um porta-voz da arquidiocese à Fundação Católica Ajuda a Igreja que Sofre.

O porta-voz afirmou que Masih, preso no dia 6 de dezembro, foi falsamente acusado por sua namorada Hindu, com quem estava convivendo "fora do casamento", pois seus pais se opuseram fortemente ao matrimônio.

De acordo com a arquidiocese, a família do proprietário muçulmano da casa em que o casal estava morando, pressionou a jovem mulher – a chantageando depois que ela não quis se converter ao islamismo, ameaçando-a com o apedrejamento por "viver em pecado".

Disse que ela seria morta se não cooperasse; a namorada Hindu do Sr Masih foi forçada a chamar a polícia e acusá-lo de queimar páginas do Alcorão para ferver o chá sobre o fogo.

A polícia, que não conseguiu encontrar o Sr. Masih em casa, prendeu seu sobrinho.
Em seguida, Khuram Masih, foi para a delegacia de polícia a fim de descobrir o que estava acontecendo, mas a essa altura uma multidão se reuniu em frente à estação querendo incendiar o prédio e matá-lo. Atualmente, o jovem está na prisão aguardando julgamento.

Enquanto outras versões sobre a prisão de Khuram Masih foram publicadas por vários meios de comunicação, no qual ele é acusado de queimar as páginas ao descartar o lixo de uma construção, o porta-voz da diocese indeferiu estes como imprecisos.

Um advogado paquistanês muçulmano que defende vítimas de acusações de blasfêmia, mas cujo nome não pode ser revelado, por temor aos ataques, disse a AIS no início deste mês que 95% de todas as acusações de blasfêmia são falsas, e feitas com a intenção de prejudicar ou  se vingar contra alguém.

Sob a lei de blasfêmia do Paquistão, que foi introduzida em 1986, quem insultar o Alcorão pode ser punido com prisão perpétua, e quem insultar o profeta Maomé é punido com a pena de morte.

De acordo com a Comissão da Igreja Católica para a Justiça e Paz da Igreja Católica no Paquistão, que documenta esses casos, 38 pessoas, incluindo 14 cristãos, foram acusados ​​de blasfêmia no ano passado.

A AIS apóia o trabalho da Comissão, que entre outras coisas financia a representação legal para os réus indigentes.

Por Eva-Maria Kolmann and John Newton

(Tradução:MEM)