Países árabes devem respeitar os direitos humanos

Discurso do cardeal Sandri na plenária da ROACO

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CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 23 de junho de 2011 (ZENIT.org) - A “primavera árabe” é fonte de esperança, mas deve respeitar a dignidade da pessoa humana, sobretudo a liberdade religiosa.

O cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, fez esta consideração introduzindo a 84ª sessão plenária da Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais (ROACO), que acontece esta semana no Vaticano.

O purpurado tem experiência de um ano de acontecimentos, viagens e visitas oficiais no mundo inteiro e concebe a primavera dos países árabes com a esperança de que constitua uma oportunidade de progresso para as populações locais, mas também com o temor de que possa aumentar as discriminações com relação aos cristãos.

“Estes movimentos coincidem com o esquema de valores da fé cristã, em muitos casos – declarou à emissora pontifícia. Certamente, nós estamos a favor de uma mudança que respeite a dignidade da pessoa humana, sobretudo a liberdade religiosa, mas estamos com todos aqueles que sofrem as consequências destas mudanças, porque assim como proclamamos esses direitos, há também muitos outros sofrimentos e violências que às vezes produzem muitos mortos.”

O cardeal Sandri recordou, além disso, o Sínodo para o Oriente Médio, do último mês de outubro, considerando-o como um dom que está dando seus frutos.

“O sínodo havia lançado um apelo a todos os cristãos do Oriente Médio e, através deles, a todos os habitantes do Oriente Médio, pela paz e pela reconciliação, pela dignidade da pessoa humana”, sublinhou.

A Igreja defende esta liberdade, esta dignidade da pessoa humana, especialmente manifestada na liberdade religiosa e no direito de ter todo o necessário para viver dignamente como homens, afirmou ele.

A Congregação para as Igrejas Orientais recolheu os frutos do Sínodo no compromisso renovado em favor da Terra Santa, pátria espiritual de todos os crentes, mas também para o Iraque e o Irã, onde a vida dos cristãos não é fácil.

Em Belém, o dicastério criou o projeto do instituto Effatà Paulo VI, que responde à prioridade da formação, destacada muitas vezes pelo Papa e fundamental para preparar o amanhã do Oriente cristão.

Na reunião da ROACO se espera o patriarca copta-católico, Antonios Naguib, e o recém-eleito matriarca maronita, Bechara Boutros Rai, que oferecerão algumas chaves de leitura da situação atual dos cristãos no Oriente Médio, para orientar o serviço a favor das igrejas orientais e do seu compromisso ecumênico e inter-religioso a favor da paz.

Também será dada uma grande atenção ao Sínodo para o Oriente Médio, realizado no ano passado, e à Terra Santa.

Participarão nos trabalhos os representantes de mais de 20 agências católicas, procedentes de 10 países ocidentais. Espera-se, além disso, a presença do delegado apostólico em Jerusalém, Dom Antonio Franco, e do custódio da Terra Santa, Pe. Pierbattista Pizzaballa OFM.

A ROACO é um organismo fundado em 1968 pela Congregação para as Igrejas Orientais e reúne as agências que trabalham no apoio às igrejas católicas orientais em todas as dimensões da vida, tais como o clero, a formação pastoral, as instituições educativas e escolares e a assistência sócio-sanitária.