Palavra é dom, não pode ter uso banalizado, diz arcebispo

Segundo D. Walmor de Azevedo, Sínodo enfatizará uma Igreja da Palavra

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Por Alexandre Ribeiro

BELO HORIZONTE, quinta-feira, 2 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- Ao ter a meta de fazer da Igreja uma «Igreja da Palavra», o Sínodo destaca que «a palavra como dom está posta na pauta do caminho missionário da Igreja», afirma o arcebispo de Belo Horizonte.

Antes de sua viagem a Roma para participar da assembléia do Sínodo dos Bispos, que inicia este domingo, D. Walmor Oliveira de Azevedo, responsável na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) pelo campo da doutrina da fé, escreveu uma mensagem aos fiéis sobre o tema da palavra.

Segundo o arcebispo, e palavra «é um dom». «Sendo dom, a palavra tem como propriedade a força criativa. O único uso devido da palavra é para criar, reconciliar, clarear, configurar e abrir horizontes novos de compreensão».

Dom Walmor explica que «a grandeza criadora e redentora de Deus se revela na força da palavra»: «“E Deus disse: faça-se a luz. E a luz se fez” (Gn 1,3). “E o verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14)», cita. 

«A Palavra de Deus, que é Jesus Cristo Salvador e Redentor, assume a condição humana, fazendo-se em tudo semelhante aos homens, exceto no pecado, obediente até a morte, e morte de cruz.»

O arcebispo considera que é imprescindível ter «a consciência de se usar a palavra como dom».

«Este uso da palavra, em todas as circunstâncias, requer nobreza e especialidade. Uma especialidade que supõe muito mais do que simplesmente fazer uso da palavra.»

De acordo com Dom Walmor, o uso banalizado da palavra «tem esvaziado a configuração própria de dom que só a palavra tem».

O prelado cita a fofoca como um exemplo de uso indevido e banal da palavra. «A fofoca nasce da incompetência de uso devido da palavra como dom. É habitual e cultural falar-se de tudo e sobre todas as coisas, até mesmo daquilo que não é da própria conta».

«O uso indevido e inadvertido da palavra faz distante o tempo em que a palavra dada valia. A honra pessoal e a palavra dada eram inseparáveis», afirma.

Dom Walmor de Azevedo recorda que «a palavra como dom está posta na pauta do caminho missionário da Igreja».

«Não simplesmente em função de si mesma. É a “Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”, a temática escolhida pelo Papa Bento XVI, ao convocar a XII Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos.»

«Esta aposta é a decisão de atingir a meta de fazer da Igreja uma Igreja da Palavra, dela se alimentando e alimentando o horizonte de compreensão da humanidade.»

«Nesta aposta está a certeza de que a Palavra de Deus como fonte é a referência para que a Igreja possa rejuvenescer e ter uma nova primavera, uma nova primavera para a humanidade», considera o arcebispo.