Palavras cristãs sem Cristo enganam, fazem mal

Em Santa Marta, o Papa Francisco adverte para o perigo de falar palavras boas, não fundamentadas na rocha, e que nos torna soberbos

Roma, (Zenit.org) Salvatore Cernuzio | 588 visitas

Enquanto, na sala ao lado, os oito cardeais davam prosseguimento aos trabalhos para a Reforma da Cúria romana, o Papa Francisco também continuava, na Capela Santa Marta, uma obra de reforma. Não dos Dicastérios, mas da consciência do cristão. Na missa celebrada esta manhã, o Santo Padre destacou um aspecto do ‘ser cristão’ que há alguns meses ele já havia admoestado durante suas homilias matutinas: “ser cristão sem Cristo”, ou seja, pronunciar palavras boas, mas não colocá-las em prática, fazendo mal a si mesmo e aos outros.

Em sua reflexão, citando a liturgia do dia, Francisco destacou que Jesus repreende os fariseus, que conheciam os mandamentos, mas não os praticavam em suas vidas. O que sai da boca dos fariseus "são palavras boas, mas se não são colocadas em prática não servem a nada e fazem mal, enganam, nos fazem acreditar que temos uma casa bonita, mas sem fundamento".

A figura da casa que não é construída sobre a rocha, explica Francisco, “se refere ao Senhor”. Isaías, na primeira leitura, afirma: Confiem no Senhor sempre, pois o Senhor é uma rocha eterna. A rocha é Jesus Cristo! A rocha é o Senhor! Exclama o Papa explicando que: “Uma palavra é forte, dá vida, pode ir em frente, pode resistir a todos os ataques, se tem suas raízes em Jesus Cristo. Uma palavra cristã que não tem suas raízes vitais, na vida de uma pessoa, em Jesus Cristo, é uma palavra cristã sem Cristo!” E as palavras cristãs sem Cristo enganam, fazem mal!”

O Papa aprofundou o conceito citando um escritor inglês que falando sobre heresias disse: “uma heresia é uma verdade, uma palavra, uma verdade que se tornou louca”. “Quando as palavras cristãs são sem Cristo iniciam a caminhar na estrada da loucura", destaca Bergolgio.

Com efeito, essa loucura nos conduz ao pecado de orgulho e soberba. "Uma palavra cristã sem Cristo leva à vaidade, à segurança de si mesmo, ao orgulho e ao poder pelo poder”.

“O Senhor derruba essas pessoas”. A história da salvação demonstra isso constantemente. E recorda ainda Bergolgio: “É o que diz Ana, a mãe de Samuel, diz Maria no Magnificat: o Senhor derrubou a vaidade, o orgulho daquelas pessoas que acreditam ser rocha”.

O Senhor humilha “essas pessoas que só vão atrás de uma palavra”, até mesmo uma palavra cristã, mas pronunciada “sem o relacionamento com Jesus Cristo, sem a oração com Jesus Cristo, sem o serviço a Jesus Cristo e sem o amor a Jesus Cristo”.

O Papa acrescenta que o “Senhor nos diz hoje para construir a nossa vida sobre esta rocha e a rocha é Ele". "Nos fará bem fazer um exame de consciência", para entender “como são as nossas palavras, se são palavras “que se consideram potentes, ou se são “palavras com Jesus Cristo"."Refiro-me às palavras cristãs, porque quando não há Jesus Cristo até mesmo essas palavras nos dividem, causam divisão na Igreja”.

Ao terminar a homilia, como de costume, o Papa indicou uma graça a ser pedida. “Hoje, peçamos ao Senhor a graça de nos ajudar nesta humildade que devemos ter sempre, de dizer palavras cristãs em Jesus Cristo e não sem Ele. Com a humildade de ser discípulos salvos e ir em frente não com palavras que, considerando-se poderosas, terminam na loucura da vaidade, na loucura do orgulho, mas de dizer palavras com Jesus Cristo, fundadas Nele." 

(Trad.:MEM)