Papa à nova embaixadora do Egito: religiões, fatores de paz

Elogiou o papel do país no diálogo entre cristãos e Islã

| 637 visitas

Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 6 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI afirmou nesta quinta-feira que as religiões «podem e devem ser fatores de paz», na audiência concedida à nova embaixadora do Egito na Santa Sé, Lamia Aly Mekhemar, ao apresentar suas cartas credenciais.

«Infelizmente, a religião pode ser mal-entendida e ser utilizada para provocar a violência ou a morte», explicou o Papa. Para evitá-lo, é necessário promover «o respeito da sensibilidade e a história de cada país, de cada comunidade humana e religiosa» através de «consultas e reuniões multilaterais». 

Mas antes de tudo, acrescentou, é necessário «um desejo genuíno de busca da paz, que promoverá a reconciliação dos povos e a coexistência pacífica entre todos». 

«Isso é o que a Santa Sé pede, e ela sabe que são também os desejos de Egito», explicou o bispo de Roma, que elogiou «os esforços realizados pelo Egito e seus governantes para alcançar gradualmente este nobre objetivo». 

«O Egito está na vanguarda na busca de pontes entre os povos e as religiões. Tais relações se baseiam certamente em um profundo respeito mútuo de nossas identidades, mas também, e sobretudo, um desejo genuíno de promover a unidade e a paz, tanto dentro das fronteiras nacionais como dentro dos espaços internacionais.»

O Santo Padre afirmou que este país, fronteira natural entre a Ásia e África, «sempre foi conhecido por ser uma terra de acolhida dos inumeráveis refugiados, muçulmanos e cristãos, que buscaram a segurança e a paz em sua terra. Que esta nobre tradição continue pelo bem de todos». 

Referiu-se especialmente aos encontros que o Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso e a universidade Al-Azhar Al Sharif do Cairo têm regularmente e que contribuíram «para uma compreensão e um respeito recíproco entre o Islã e o Cristianismo». 

Este diálogo, insistiu o sucessor do apóstolo Pedro, supõe «uma oportunidade para o mundo, uma oportunidade oferecida por Deus que é preciso aproveitar  e viver da melhor forma possível». 

Para percorrer este longo caminho, «é necessário promover um bom conhecimento recíproco, que não pode limitar-se ao pequeno círculo do fórum de diálogo, mas que gradualmente deve estender-se a todas as pessoas, para que dia a dia, nas cidades e aldeias, desenvolva-se uma atitude de respeito mútuo». 

Bento XVI aproveitou para enviar uma saudação aos católicos egípcios, que «ainda que reduzidos em número, manifestam a grande diversidade que existe no seio de nossa Igreja e a possibilidade de uma convivência harmoniosa entre as grandes tradições cristãs orientais e ocidentais». 

Ele concluiu solicitando que se atendam as necessidades dos turistas que visitam anualmente o Egito e que desejam poder praticar sua religião. «Estou convencido de que logo se dará a oportunidade de orar a Deus, com a dignidade adequada, nos lugares de culto das novas atrações que se desenvolveram nos últimos anos. Seria um bom sinal que o Egito daria ao mundo, mediante a promoção da amizade e das relações fraternas entre as religiões e os povos em total acordo com sua antiga e nobre tradição».