Papa abençoa nova sede do Observatório Vaticano

No limite sul da Vila Pontifícia de Castel Gandolfo

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CASTEL GANDOLFO, quinta-feira, 17 de setembro de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI abençoou a nova sede do Observatório Vaticano, em Castel Gandolfo, nesta quarta-feira à tarde, em uma visita cordial de uma hora à comunidade de cientistas jesuítas.

A nova sede do observatório se encontra a 2 km de onde estava antes, no limite sul da Vila Pontifícia de Castel Gandolfo, onde se encontra o Mosteiro dos monges basilianos, que dá passagem ao território de Albano.

Para o diretor do observatório, Pe. José Gabriel Funes, SJ, esta localização pode simbolizar a situação que o observatório ocupa entre a fé e a ciência, entre a Igreja e o mundo.

“Neste lugar, penso ver quase uma metáfora da missão do Observatório: na Igreja, perto do Papa, mas na fronteira com o mundo, aberto ao diálogo com todos, com os que creem e com os que não creem”, explica em uma entrevista publicada na edição de hoje do L’Osservatore Romano.

Os escritórios e a biblioteca do Observatório, assim como a sala de conferências, a área da escola e a residência da comunidade de jesuítas foram transladados ao mosteiro dos basilianos que está na histórica Praça Pia de Albano.

Também há uma hospedaria para acolher estudantes e pesquisadores. As coleções de meteoritos e alguns objetos preciosos, como telescópios antigos, também se transladaram à nova sede.

O Observatório Vaticano, que foi criado durante a reforma do calendário gregoriano, já teve 4 sedes. Inicialmente, estava dentro da Cidade do Vaticano, mas em 1939 se transladou a Castel Gandolfo para evitar a contaminação de Roma.

Atualmente, o Observatório leva a cabo suas principais funções no deserto do Arizona (Estados Unidos), no monte Graham, sob a direção do Pe. José Gabriel Funes, SJ.

Mas o Observatório de Castel Gandolfo continua recebendo visitas e acolhe jesuítas durante estadias temporárias, assim como as sessões de verão com jovens astrônomos do mundo inteiro.

O translado do Observatório e de 15 cientistas que trabalham nele à nova sede se deve ao crescente número de visitantes.

No Palácio Pontifício de Castel Gandolfo, que foi há pouco tempo sede do Observatório, restam ainda os dois maiores telescópios que existem sob as cúpulas do terraço, que agora serão utilizados com fins didáticos.

Também permanecem outros dois instrumentos de observação de grande valor histórico: o telescópio Schmidt, usado na pesquisa inicial ao fundar o centro do Arizona, e o telescópio Carte du ciel, um dos maiores projetos astronômicos de que o Observatório já participou.

Este instrumento será restaurado e incluído em um futuro museu da astronomia que se pretende abrir em Castel Gandolfo.

Além disso, a curto prazo, será uma das peças da mostra que os Museus Vaticanos acolherão do próximo dia 15 de outubro a 16 de janeiro de 2010, por ocasião do Ano Internacional da Astronomia.

A exposição se titulará “Astrum 2009. Astronomia e instrumentos: o patrimônio histórico italiano 400 anos depois de Galileu” e incluirá telescópios e outros instrumentos de observação usados desde a época de Galileu até hoje.

Também por ocasião do Ano da Astronomia, o Observatório Vaticano e a Academia Pontifícia das Ciências organizaram um congresso sobre astrobiologia, que será realizado de 6 a 11 de novembro na Casino di Pio IV.

Será um encontro de especialistas sobre o tema da busca de vida no universo.