Papa alemão no monumento às vítimas do nazismo em Roma

Acompanhado pelo rabino-chefe de Roma

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ROMA, segunda-feira, 28 de março de 2011 (ZENIT.org) - Bento XVI, o Papa alemão, visitou ontem as Fossas Adreatinas de Roma para recordar as 335 vítimas fuziladas pela SS de Hitler 67 anos atrás, em plena ocupação da Cidade Eterna, em retaliação a um ataque contra 33 soldados alemães da resistência italiana.

Convidado pela Associação Nacional das Famílias Italianas do Memorial dos Mártires da Liberdade da Pátria, o Pontífice - como tinham feito João Paulo II (em 1982) e Paulo VI (1965) -, quis lembrar, neste mausoléu, "memorial doloroso do mal mais horrendo", as vítimas da barbárie nazista e recordar que todos, independentemente da religião, são irmãos, pois são filhos de um mesmo Pai.

"O que aconteceu aqui em 24 de março de 1944 é uma gravíssima ofensa a Deus, porque é uma violência deliberada do homem contra o homem. É o efeito mais execrável da guerra, de toda guerra, enquanto Deus é vida, paz, comunhão", denunciou.

O Papa havia colocado, pouco antes, rosas vermelhas diante do monumento às vítimas e, ao visitar os túmulos, recolheu-se em oração. Durante a visita, ele foi acompanhado pelo rabino-chefe de Roma, Riccardo Segni, e pelo cardeal Andrea Cordero Lanza di Montezemolo, cujo pai foi morto no massacre.

"Eu vim para confiar à Divina Misericórdia, a única que pode preencher os vazios, os vórtices abertos pelos homens, quando, conduzidos pela violência cega, negam a sua dignidade como filhos de Deus e irmãos uns dos outros", disse ele em um emocionado discurso, inspirado por escritos e grafites de pessoas que foram torturadas pelos nazistas.

"É preciso acreditar no Deus do amor e da vida e rejeitar qualquer falsa imagem de Deus, que trai o seu santo nome e, portanto, trai o homem, feito à Sua imagem", disse ele.

Por esta razão, "a verdadeira resposta é segurar as mãos uns dos outros, como irmãos, e dizer: Pai nosso, nós acreditamos em vós e, com a força do vosso amor, queremos caminhar juntos, em paz, em Roma, na Itália, na Europa, em todo o mundo. Amém", concluiu.

Depois, o rabino-chefe de Roma rezou em hebraico o Salmo 129, "De Profundis", e o Papa rezou o Salmo 23, "O Bom Pastor", e fez esta oração a Deus Pai: "Nós vos pedimos pelos nossos irmãos que neste lugar foram assassinados sem piedade: concedei-lhes que possam sempre desfrutar da luz e de paz para do vosso reino".

Depois de sair do mausoléu, Bento XVI assinou o Livro de Ouro, escrevendo em latim: "Não temerei mal algum, porque tu estás comigo", precisamente uma frase do Salmo 23.